Sobre fotografia – Susan Sontag


Também romancista, crítica de arte e ativista, a autora publicou mais de dez livros, entre eles O Amante do Vulcão e Na América, pelo qual recebeu o National Book Award, um dos mais importantes prêmios americanos.

Sobre fotografia foi publicado em 1977, pelo menos vinte anos antes da larga produção e difusão que a fotografia digital e a internet permitiram.

Os seis ensaios do livro compõem uma das publicações mais importantes sobre fotografia. Susan já afirmava que a câmera havia aumentado nosso repertório visual ao mesmo tempo em que o diminiu ao procurarmos apenas o que é fotogênico. Ela também divide com o leitor a opinião sobre fotografia de alguns escritores como Baudelaire, Valéry, Balzac, Zola, Mallarmé e Nabokov.

Susan lembra que o conhecimento através da fotografia confere uma sabedoria aparente assim como também é aparente a apropriação do real pelo fotógrafo.

No ensaio Estados Unidos, de um ângulo sombrio, ela analisa alguns dos fotógrafos que marcaram o país como Walker Evans, Robert Frank, Lewis Hine e Diane Arbus.

Já em Objetos de melancolia, Sontag escreve que o surrealismo está no coração da fotografia, evidenciado, por exemplo, nas radiografias de Man Ray, nas fotomontagens de Alexander Rodchenko ou na múltipla exposição de Bragaglia. Casos em que há uma cooperação acidental ou quase mágica entre o fotógrafo e o assunto.

No texto O mundo-imagem, a foto é o registro de ondas de luz emanadas pelos objetos, ou seja, um vestígio material do tema. Para a ensaísta, ter uma foto de Shakespeare seria como ter um pedaço do próprio.

No documentário Annie Leibovitz – Vida Através das Lentes, a fotógrafa americana Annie Leibovitz cita sua relação amorosa com Susan Sontag. O romance das duas é também a relação entre suas obras, a escrita e a fotografia. Susan nasceu em Nova York em 1933 e morreu em 2004. Sua morte foi registrada pela câmera, a autora foi tragada pelo seu objeto de observação. Annie a fotografou no hospital em seu momento final de vida. A fotógrafa, percebendo que a cor da imagem não era a mais adequada, trocou o equipamento a fim de registrar a última emanação de Susan Sontag à altura da circunstância. O ato e a foto confirmam a idéia de Susan, a de que a fotografia é o inventário da mortalidade.


[Susan Sontag by Annie Leibovitz]

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Andréa del Fuego (São Paulo, 1975) é autora da trilogia de contos Minto enquanto posso (2004), Nego tudo (2005) e Engano seu (2007). Participa das antologias Os cem menores contos brasileiros do século e 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, entre outras. Publicou também Blade Runner, em 2007, pela editora Mojo Books. Publicou em 2008 o romance juvenil Sociedade da Caveira de Cristal e tem um romance adulto inédito, Serra Morena. Seu primeiro romance, Os Malaquias, foi lançado em 2010 e conta a história de três irmãos que ficam órfãos quando seus pais são atingidos por um raio. A obra valeu à autora o Prémio José Saramago de 2011. E-mail: delfuego@uol.com.br




Comentários (4 comentários)

  1. Paulo Bau, Olá Andrea, tudo certo?, espero que sim. Adoro fotografia e procuro participr de tudo ligado ao tema, ai fiquei com duvidas. Apesar de o livro ser de 1977, podemos citar Roland Barthes escrevendo ensaios de conceito fotografico desde 1961, e existem outros, pois mesmo agora não são muitos os livros publicados. E não vejo onde pode caber que “Sobre Fotografia” possa ser um dos livros + importantes sobre fotografia, vc o leu? E esta informação esta errada “Susan lembra que o conhecimento através da fotografia confere uma sabedoria aparente assim como também é aparente a apropriação do real pelo fotógrafo.”, se vc pesquisar ou ler o trecho do livro novamente vc vai ver que esta informação é o contrario em qualquer livro de fotografia conceitual e mesmo no da Susan Sontag, o que captamos na hora da foto é um fragmento da hitória, do tempo, ao tirarmos o dedo do botão disparador a história já segue seu rumo ininterruptamente. Grande abraço, Paulo Bau
    21 janeiro, 2012 as 15:30
  2. Marcelo Rayel, Sunsan Sontag sempre foi uma pessoa que me impressionou muito Pela articulação das idéias principalmente Às vezes por sua docura Foi bom reencontrá-la através das sua mãos
    11 fevereiro, 2012 as 2:19
  3. cristina cenciarelli, Andréa, obrigada por “fotografar” esse lado humano da Sontag … muito importante, fundamental. um abraço, cristina
    11 fevereiro, 2012 as 14:33
  4. fatima almeida, muito interessante. a existência de Sontag é uma arte.
    4 junho, 2012 as 2:11

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