Sobre a crônica de Linaldo Guedes


A experiência é a lagarta que depois de esquecida neste casulo chamado poeta dá origem à palavra borboleta, esta que colore o dia e prenuncia a morte.Um poema não é feito com ideias… nem com palavras. Não é criatividade. Nem lego com os vocábulos. É preciso um punhal que corte o véu e deixe as coisas mais próximas de si mesmas. A poesia mora na verdade… e a vida é tão urgente! Para contemplar o tempo da Arte, aquele que é sempre origem, é necessário estar longe do tempo do relógio e da queda, o fluxo é outro. Para falar a língua do poema, é preciso estar longe da fala da máscara, esta que vem do jargão do dominó que vestimos, seja ele de pai de família, menino rebelde, ou professor literário. Nada é tão distante da fruta quanto a casca. Não é subjetividade. A música pulsa de um lugar, onde a obra toca para os seus próprios ouvidos. Ser poeta, é ser um instrumento bem afinado. Só. O som do verso está no mundo, encoberto pelas buzinas, o estalo do crack, o snif do pó, o grito dos demônios… toca num diapasão quase imperceptível… uma vibração. Quem será capaz de captá-lo e transmiti-lo aos homens que o matarão por isto?
Belíssima crônica que aponta um incômodo de muita gente. Acertou.