Sexo, palavra e lente


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Sylvio Back, cineasta, provavelmente escreve longos roteiros de cenas sexuais com início, meio e fim (nem sempre nessa ordem): mas, para compô-las, precisa trabalhar com afinco em cada ângulo, cada close, cada take. Os poemas eróticos reunidos em Quermesse demonstram bem esse afã construtivo do poeta, que traduz o seu erotismo a partir da sua memória cinematográfica e vai, pouco a pouco, registrando o filme da sua vida, com a câmara na mão, primeiramente. Provém dessa projeção –palavra-chave – para a tela, e da tela para as retinas do poeta, a experiência pioneira do desejo e do êxtase. Porque, como expressou Octavio Paz, o encontro erótico começa com a visão do corpo desejado[1], e a encarnação (para alguns, a epifania inesquecível) do desejo surge para Sylvio Back a partir das atrizes famosas que habitam a tela dos cinemas e a imaginação do onanista. Essas mulheres consomem o poeta na passividade de uma sala repleta de admiradores e, mais tarde, numa prática solitária. E o seu erotismo, no qual quase nunca se encontra a palavra amor, é feito nessa etapa de imagens sucessivas que vão de Theda Bara a Sharon Stone, de Marilyn Monroe a Maria Schneider, que merecem, cada uma ao modo do seu admirador, uma imagem seminal.

A velocidade dessa atração sexual por mulheres que são imagens na tela pode acontecer à razão de 24 quadros por segundo – o que inspira o título de um dos poemas de Sylvio Back. Pois é ele, cineasta e poeta, quem controla a ação, e precisa mesmo atuar na posição de diretor ou de assistente, como ocorre em meio a um registro do ato sexual – por exemplo, no poema “cine privé” (p.161), onde aparece responsável por um detalhe obsceno. Primordialmente, o poeta se ocupa dessas cenas rudimentares nas quais um casal copula ou uma atriz pornográfica – como Isabel Sarli (“a incomensurável”) – faz o possível para animar os homens da sua geração, e é bem sucedida.

É que a câmara a registrar a ação dessas imagens em sequência vertiginosa se assemelha a um instrumento viril – e seu objetivo é perscrutar, captar, flagrar, penetrar. Sylvio Back tem prazer em visualizar seu objeto de desejo, porém, antes da primeira mirada, é a câmara mesma um instrumento do prazer. No poema “CAMERA” (em itálico e, portanto, sem circunflexo porque escrita em língua inglesa, em alusão ao cinema norte-americano), a CAM é apenas uma abreviação do aparelho potente que realiza o seu trabalho e vai sendo gradualmente metamorfoseada em pênis, enquanto filma, enquanto desempenha as suas funções.
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a CAM (toda cachoeira)

orvalha de provecto incenso

coxas imberbes (…)

jatos de esperma aspergindo a lente (p.4)

 

Assim filma Sylvio Back as suas memórias visuais, em ato final de homenagem e descontrole.

Esses poemas eróticos marcados pelo cinema, bem como pelos rituais de suas imagens e de sua recepção não poderiam deixar de exibir escolhas decisivas no que diz respeito à sua montagem e à sua construção. E uma das escolhas obsessivas do poeta é a repetição. Sylvio Back insiste em repetir palavras como se estivesse tentando aglutiná-las a outras, a exemplo de xana, de mênstruo, de buceta, entre tantas que se combinam, respectivamente, com laguna e cascata; com vapor e pororoca; com astrolábio e manga-rosa. É que o poeta insiste em dar ao sexo uma dimensão substantiva, no entanto bem qualificada, aproximando-o, em livre associação, de outras referências e, por fim, do mundo que nos cerca – e cerca o poeta com força coercitiva.

Mas é preciso reconhecer que o sexo – e, sobretudo, o ato sexual – é mesmo repetitivo. Tanto mais quando o desempenho é descrito de apenas um ponto de vista, que comanda a ação decisivamente. Sua plena originalidade encontra-se no outro, que lhe traz dimensões insondáveis e carrega de subjetividade o que estaria inelutavelmente fadado à exaustão. Em outras palavras: imagine-se o ato como exercício atlético e desafiadoramente físico, como se coubesse a cada um assistir a uma longa série de arremessos de discos, corridas com barreiras e saltos triplos. Sylvio Back, em seus poemas, força ao limite o desempenho maquinal, o instinto animalesco, para que a transgressão do poema seja a sua redução à obscenidade do detalhe, como ocorre em “hosana ao grelo”:

 

tudo no grelo é

favo e inflável

tudo no grelo é

molusco e clava

tudo no grelo é

hígido e vibrátil

tudo no grelo é

hóstia e tugúrio

tudo no grelo é

mírreo e anseio

o grelo é ninfeu (p.118)
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Que se esclareça, no entanto: a repetição atende a atributos de montagem e de construção nos poemas eróticos de Sylvio Back, considerando-se mais influência do cinema com respeito à edição narrativa. Mas a repetição revela-se, em si mesma, um artifício comum à poesia erótica, que glosa os movimentos, a sofreguidão, o savoir faire dos pares e das cópulas. E é por também conhecer a repetição como ato original que o poeta Oliverio Girondo também construiu um poema todo feito de verbos no qual o comportamento serial vem da multiplicação quase ao infinito da estrutura gramatical. E ainda assim se podem considerar os versos como alusivos a algo que só se constrói no leitor:
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Se miran, se presienten, se desean,

se acarician, se besan, se desnudan,

se respiran, se acuestan, se olfatean,

se penetran, se chupan, se demudan,

se adormecen, despiertan, se iluminan,

se coidician, se palpan, se fascinan,

se mastican, se gustan, se babean,

se confunden, se acoplan, se disgregan,

se aletargan, fallecen, se reintegran,

se distienden, se enarcan, se menean,

se retuercen, se estiran, se caldean,

se estrangulan, se aprietan, se estremecen,

se tantean, se juntan, desfallecen,

se repelen, se enervan, se apetecen,

se acometen, se enlazan, se entrechocan,

se agazapan, se apresan, se dislocan,

se perforan, se incrustan, se acribillan,

se desmayan, reviven, resplandecen,

se contemplan, se inflaman, se enloquecen,

se derriten, se sueldan, se calcinan,

se desgarran, se muerden, se asesinan,

resucitan, se buscan, se refriegan,

se rehuyen, se evaden y se entregan.[2]
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Parece evidente que o poema de Oliverio Girondo conduz a uma zona de pouca segurança, apesar da precisão de cada verbo: afinal, quantas e quem são as pessoas que produzem tanta ação? E serão homem e mulher, homens e mulheres, homem e homem, mulher e mulher, homens e homens, mulheres e mulheres, e assim por diante? A impossibilidade de saber com quem está ocorrendo o que está ocorrendo surge muitas vezes no âmago mesmo da poesia erótica – errática porque movida a Eros. Pois o erotismo pode concentrar todas as ações numa só: a da palavra no poema, como se percebe aqui em Quermesse. E é assim que Sylvio Back, no poema “prontuário”, uma vez mais insiste e repete o seu mantra erótico:
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acordei nascituro

lábios e peitos

dossel vadio

acordei babando

salitre e gala

bendita birita (…)

 

acordei morto

florbelos odores

esplêndida sorte

adrenalina

de xaninhas (p.12)
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Enfim, a repetição alude ao próprio ato sexual, no seu ofício de alcançar o apogeu. E Sylvio Back segue à risca os elementos de sua composição, ao enquadrar o corpo do outro e, neste corpo, as suas partes constituintes que obrigam a retornar. Esse processo de enquadramento e usufruto, que vai aos detalhes para conhecer sua essência carnal, pode parecer reducionista, mas é como muitos poetas preferem agir. Um desses poetas, Carlos Drummond de Andrade, assim apresentou sua natureza viva:
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Coxas          bundas          coxas

bundas          coxas            bundas

lábios            línguas           unhas

cheiros                 vulvas           céus

terrestres

infernais[3]
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Essa obsessiva repetição dos poemas eróticos, que Sylvio Back radicaliza, diz respeito a uma técnica que trata o sexo com intensidade, por meio da rapidez e da economia das descrições. Como acontece em “rapel” (p.24) – título que intensifica o ato físico –, cada parte do corpo está voltada para uma ação exaustiva, e todo o conjunto se destina à obra comum de dar e buscar prazer. Em sua brevidade, esses poemas recusam o eufemismo e a dissimulação: vão diretamente ao ponto, deixando à margem qualquer elaboração em desajuste com a necessidade de ressaltar a animalidade do amor. Assim também fez Ausônio em uma de suas epigramas, ao comentar o comportamento de uma mulher:

                   Crispa tamen cunctas exercet corpore in uno: 
                 Deglubit, fellat, molitur per utramque  
                   cauernam, 
                 Ne quid inexpertum frustra moritura 
                   relinquat.[4],
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que bem poderia estar repercutindo no poema de Sylvio Back, em “ablução do grelo”:
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tantos vorazes orifícios

bocas e salivas assaz

tanta porra que jorre

sacia vícios e ardores

tantos orifícios há pra

aplacar dedos e dildos

tanta ablução do grelo

o caralho é prisioneiro (p.199)
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No poema “prativai”, Sylvio Back escreve o verso final que poderia ser o inicial – abracadabra. Essa palavra mítica – que, uma vez pronunciada, tudo transforma – está engastada após uma seqüência de versos em que o verbo abrir surge no imperativo, exigindo da parceira todo o empenho. Pois, no erotismo, há um universo que tem início a partir do encontro e da percepção do corpo ou de uma parte do corpo. Abracadabra – que alguns etimologistas explicam ser “eu crio enquanto eu falo” – representa para o poeta um trocadilho sonoro que atua sobre a pessoa que abre seu corpo para o outro – possivelmente sob o comando do outro. É quando interessa conhecer, na poesia de Sylvio Back, esses diálogos entre parceiros que se dão ora sob a forma de dominação, ora sob engajamento puro no ato sexual, em que fica dissolvida a hipótese de dominação. Antes, porém, de comentar os aspectos desse diálogo, vale muito recordar como a palavra abracadabra também se relaciona às tímidas tentativas de efeitos visuais encontradas em Quermesse: pois, assim como se lê em “Igor que fode Vivi que fode Gato que fode” (p.108), o poeta figura um triângulo invertido que simboliza o púbis. Abracadabra, como ensinava Serenus Sammoncus, em Præcepta de Medicina, teria sua eficiência verbal multiplicada caso fosse disposto (e lido) naquela forma:[5]
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A B R A C A D A B R A

A B R A C A D A B R

A B R A C A D A B

A B R A C A D A

A B R A C A D

A B R A C A

A B R A C

A B R A

A B R

A B

A
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O erotismo se organiza, pois, como um universo formado a partir da visão e a partir da abertura – e é a palavra mágica que dá início ao ato sexual, quando enfim o poema termina e deixa em alusão na página branca tudo o que acontecerá em seguida. Em clave semelhante, Murilo Mendes assim escreveu no poema “Jandira”:
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O mundo começava nos seios de Jandira.

Depois surgiram outras peças da criação:

Surgiram os cabelos para cobrir o corpo,

(Às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos). (…)

Certos namorados viviam e morriam

Por causa de um detalhe de Jandira.

Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira. (…)[6]
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O erotismo acontece, pois, por meio de um processo redutor em que todo o desejo e toda a expectativa de sensações sexuais encontram seu início numa pessoa ou em parte da pessoa. Sylvio Back pratica um reducionismo inclemente no seu erotismo, e por isso este se encontra muito mais próximo da pornografia, em sua vertiginosa exposição do detalhe – dos mucos, do sêmen, dos flatos, das babas. A materialidade das descrições dessa poesia erótica e fescenina permite supor que o autor de Quermesse – festa ruidosa ao ar livre – também manifesta uma revolta comum aos que lidam com os eufemismos, as atenuações e os discursos hipócritas contra a centralidade do sexo na vida: a de irromper, com marcas severas de irredentismo, na certeza de que o ato sexual é a base de um mundo mortal. Ideia muito próxima, nessa linha de convicção, da que se lê numa “Ode à Priape”, na qual o poeta satírico Alexis Piron percebe todo o universo como um gigantesco palco de intercursos sexuais e partes genitais que se atritam e se penetram, a partir da mitologia.

Durante algum tempo, enquanto traduzia a obra de Louise Labé – poeta de um erotismo sofrido e tendente à exasperação –, imaginei que deveria escrever um estudo sobre poesia erótica que, por estar eu impregnado pela bibliografia francesa, deveria estabelecer como eixo analítico le vide e l´évidence. A idéia era demonstrar que a evidência é uma forma de esvaziar o vazio, nunca de preenchê-lo, pois o erotismo pode também surgir ora como falta do amante (e, portanto, projetando-se numa relação sexual irrealizada), ora como afirmação de um desejo que se realiza de modo explícito na relação com o amante – sem espaço para o infortúnio, a impotência, o acidente e a insatisfação. Não prossegui na empreitada de coletar material e testar minha hipótese graças à interferência de outros projetos, mas jamais deixei de observar, na poesia erótica, aqueles meandros. No caso de Sylvio Back, o erotismo parece todo afirmativo e sem concessões ou falhas, e se mostra reinante contra quem quer que seja. E a melhor série para observar a preeminência solar desse erotismo se encontra nos poemas que reproduzem diálogos.

E são variados esses poemas construídos como diálogos: “com todo respeito” (p.6), do inédito Quermesse, trata do debate quase físico entre uma prostituta e seu cliente; “A Ferros” (p.26) , do mesmo livro, registra obscenidades entre homem e mulher, mas também registra a intimidade existente entre os dois; “la chair est faible”, de A Vinha do Desejo (1994), revela humor na interação entre dois amantes, travestidos de “o galante” e “a galante”, como num teatro farsesco:
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a cuspe de beijos

te rego por tudo

alegro ton trou

 

sussurrou o galante

 

então me cobre

soca mon désir

verte o que vir

gritou a galante
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Em “a estrela preta”, de boudoir (1999), o diálogo indicado por travessões é quase todo uma troca de exclamações pelas quais um homem e uma mulher se excitam enquanto fazem amor – em nova modalidade de abracadabra; por fim, “ordem de cima” (p.153), do mesmo livro, reproduz uma troca difusa de frases entre um homem e um homossexual, com a agressividade de quem manda e possivelmente paga. O diálogo, na poesia erótica de Sylvio Back, também combina a técnica das repetições, já mencionada, com a oposição fundamental entre homem e mulher, oposição sempre dinâmica e para a qual contribui a percepção final do poeta:
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a mulher e seus fogos de afago

o homem e seu pássaro falaz

a mulher e seus gargalos letais

o homem e seus solitários ais

a mulher e seus mil orgasmos

o homem e seu unívoco ocaso

a mulher e seus líquidos infinitos

o homem e seu fatídico fastio

a mulher toda em si

o homem tolo Sísifo
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“tolo Sísifo” é seguramente um dos poemas bem realizados da erótica de Sylvio Back, talvez porque lance sobre o ato sexual uma suspeita acerca do fundamento melancólico de tanta repetição e, de forma implícita, acerca da consciência última da morte quando o desejo está presente. É também poema construído com maestria (e com metros desiguais), em versos que rimam em um só caso e quase rimam nos demais – tudo isso a contribuir para a expressão do desajuste entre a mulher e o homem que já estabeleceram o seu encontro erótico. Imagens como “fogos de afago”, “pássaro falaz”, “gargalos letais”, “unívoco ocaso” – e, por fim, a suprema oposição entre a mulher “toda” e o homem “tolo”, que repercute no choque entre “em si” e “Sísifo” – asseguram ao poema uma imbatível superioridade. “Tolo Sísifo” não instaura o combate ao eufemismo, ao contrário do que é mais comum em Sylvio Back, nem busca acentuar o obsceno e o registro vulgar para tornar mais estridente a realidade que envolve o ato sexual: no caso em apreço, e até mesmo pela citação do mito grego, está em jogo o erotismo possível, ou melhor, a diferença entre o erotismo imaginável e o realizável, além do alcance do prazer para cada um dos sexos. Os dois primeiros versos do poema “délicatesse” (p.139) talvez já houvessem anunciado essas questões:
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Sorver todos os teus interstícios

– o que couber!
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O poeta erótico deve salvar-se de si mesmo – porque o atrai uma voga narcisista cada vez que comenta aquilo que faz, já fez ou pretende fazer.[7] Sylvio Back mal consegue conter esses “cios de Sylvio” (p.31) e “o porra louca do Back” (p.87) em alguns poemas onde se exibe adâmico e priápico. Mas se defende com humor num poema como “musa hermafrodita” (p.181), experimentando ele mesmo um pouco de si: ocorre provar do próprio veneno. E há um pouco de tudo nessa poesia cuja envergadura alcança o próprio sujeito e todos os sujeitos ao mesmo tempo. Sylvio Back pode bem divertir-se na tradição da coprofilia, na degustação do esmegma, na dor estercoral, na sodomia, nos paladares licorosos, nos aromas flatulentos e na proctomania, entre tantas aberrantes especialidades. Mas conhecer a fatura do seu erotismo literário diz respeito a fazer contato com um poeta original quando trata de envolver dois ou mais corpos – e somente isso já recomendaria a leitura prazerosa de Quermesse, com seus petiscos à disposição. –

 

 

 


[1] Octavio Paz, La Llama Doble – Amor y Erotismo (Madrid: Seix Barral, 1993), p.204.

[2] Oliverio Girondo, “Se Miran, se Presienten, se Desean…”, in Calcomanías [1925] – Poesía Reunida 1923-1932 (Madrid: Renacimiento, 2007), p.161-162.

[3] Carlos Drummond de Andrade, “Coxas Bundas Coxas”, in O Amor Natural (Rio de Janeiro: Record, 1992), p.23.

[4] Ausonius, Epigrama LXXI, “Subscriptum Picturae Mulieris Impudicae”, in Opuscula. “Mas Crispa tudo faz num corpo só: descasca / e chupa e é socada numa gruta e noutra / por nada em vão deixar na morte sem provar.” Tradução de João Ângelo Oliva Neto, encontrada em http://www.usp.br/verve/coordenadores/joan/rascunhos/31tradineditas-joan.pdf

[5] Cf. Charles William King, The Gnostics and their Remains: Ancient and Medieval (Minneapolis: Wizards Bookshelf, 1973), p.317.

[6] Murilo Mendes, “Jandira”, in Poesias (1925-1955) (Rio de Janeiro: José Olympio, 1959), p. 71 e 72.

[7] Numa análise anterior sobre um livro erótico de Sylvio Back, eu já havia apontado “o risco extremado da autobiografia”. Cf. “O que se passa na cama”, Jornal do Brasil, caderno “Ideias & Livros”, 30 de agosto de 2008. Reproduzido em Fortuna, Felipe. Esta Poesia e Mais Outra (Rio de Janeiro: Topbooks, 2010), p.110.

 

 

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[Ilustrações e desenho de capa: Géza Heller]

 

 

 

 

 

 

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Felipe Fortuna nasceu no Rio de Janeiro, em 1963. Estreou na literatura com o livro de poemas Ou Vice-Versa, em 1986. Desde então, vem também mantendo presença na imprensa brasileira com a publicação de artigos e ensaios, alguns dos quais já reunidos nos livros A Escola da Sedução (1991), A Próxima Leitura (2002) e Esta Poesia e Mais Outra (2010). Para o crítico Antonio Carlos Secchin, “é difícil destacar o maior mérito de Fortuna: se o amplo conhecimento da matéria sobre a qual discorre (sem que o peso da erudição se transforme em obstáculo para o leitor), se a poderosa engrenagem argumentativa que sustenta seus juízos, se a qualidade literária de sua prosa, se o destemor com que enfrenta clichês, mitos e nichos bem assentados de nossa república das letras.” Como poeta, Felipe Fortuna já publicou Atrito (1992), Estante (1997), Em Seu Lugar (2005) e, mais recentemente, A Mesma Coisa (2012) – conjunto de três longos poemas que tratam do fenômeno da repetição e da cópia na sociedade; do suicídio dos poetas; e sobre os pensadores que já escreveram contra a poesia. Sobre este livro, Moacir Amâncio escreveu em recente resenha para O Estado de S. Paulo: “O poeta é divertido, mas não se pode confundir o fútil com o lúdico. (…) O livro de Fortuna pode ser visto como uma experiência consistente nesse sentido. O poeta domina os ritmos e brinca com eles, seja no verso livre seja no metrificado.” Felipe Fortuna traduziu a obra integral da poeta francesa Louise Labé (1522-1566), publicada no volume Amor e Loucura(1995). Participa de diversas antologias de poesia. Também reuniu seus artigos sobre temas não literários no livro Visibilidade (2000). Foi professor-visitante do King´s College, Londres. Diplomata, já trabalhou nas Embaixadas do Brasil em Londres, Caracas e Moscou. E-mail: felipefortuna@felipefortuna.com

 




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