O devir-arte de Gabriela Marcondes


As multiplicidades do devir-arte de Gabriela Marcondes



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A Poeta Gabriela Marcondes recria a ambivalência da realidade humana com composições electroacústicas-geomorfológicas-multiespectrais e através de fenómenos-verbais-topológicos estimula a área das intersecções retinianas, as variáveis antropofágicas ligadas aos poderes ocultos da organicidade polissémica e às re-cristalizações das metáforas, dos palimpsestos, dos silabários (organismo-dinâmico-computacional nos signos da espiritualidade e das transfusões psicodélicas) onde as aberturas circulares das lentes e dos cristalinos interposicionam-se na velocidade/duplicidade dos Poemas misturando os estimulos sensoriais, as micro-(as)simetrias e a intensidade das luzes nas inflorescências das cores: as volubilidades diacrónicas e as sincronicidades da percepção dos fragmentos bio-físicos fortalecem-se nos poemas de Marcondes ao unificarem-se com as intervenções do olhar-colagem-da-memória como formas temporais-fotográficas-mónadas entre um osciloscópico tricromático de Young-helmholtz.

A Poeta do Rio de Janeiro e do mundo da visão estereoscópica persegue com a somatologia dos ângulos da estimulação (luz-sombra) a disparidade da vida latente e a regeneração da subjectividade-dos-filmes-filosóficos (percepcionar e não pensar, escolher sem-hierarquias, intensificar as apresentações das indizibilidades,reconciliar as pulsionalidades da desinquietação: eis o caminho das cicatrizes-das-escritas proto-cinematográficas na imanência bio-ecocêntrica, nas mutabilidades instintivas-cristalográficas onde as translacções da profundidade da palavra presentificam e superam através das deformações da perspectiva e dos interfaces-holísticos os interstícios das corporalidades sonambúlicas até à Agoridade Benjamimnenana e à alteridade-ipseidade de Maerleau-Ponty).

O potenciómetro da câmara-palavra de Marcondes percepciona a fragmentação, a subtracção, a anterioridade, as permutações, a saturação até à figura fenomenológica do outro-respiratório-da-poeta onde o fundo-da-deslocação é a absoluta-existência do (ir)real na ritmicidade: pensar/percepcionar infra o caos-harmonioso da distância como se a continuidade temporal e espacial unificassem as harmonias cósmicas e as sonoridades-imagéticas com as travessias ópticas-fisiológicas-cognitivas (0 Close-Up dos agentes cimentantes diversificam, diferenciam e aproximam as tessituras-espaciais dos Poemas como coordenadas geográficas a incorporarem a conectividade-transpessoalidade das sensações Gestálticas)

Gabriela Marcondes infere-nos inconscientemente na profundidade homem-animal-cibernética-arqueologia, na orientação-abdução-vibratória do simulacro e no movimento das metamorfoses do ser-divino/ser-selvático porque nos projecta nas reentrâncias da arte como um mosaico perceptivo-vivificador dos (para)limites da vida onde a fulguração dos labirintos e as intervenções do olhar da instantaneidade abrem-se na plurissignificativa antiguidade(memória) e formam dessacralizações dos ecrans-outros, fertilizações das estranhezas, autoconhecimentos-desconstrutivistas, reinos da liberdade que ultrapassam as simbioses das percepções ao configurarem a refexividade do mito-aberto, do tempo-da-dor de Goethe e da ilusão-dinâmica de Muler-Lyer.

AS CONSTRUÇÕES de Gabriela Marcondes rasgam centriptamente/centrifugamente as cauterizações epistemológicas para se ausentarem e se desdobrarem animalmente nas reversões semânticas e na interactividade das explosões-visuais reactualizando as antecipações/visualizações devoradoras da futuridade e da vascularidade secreta do ser( a luz das energias maternais e anamórficas atravessa o corpo-poema formando a incandescência infinita-decomposta-imprevisível-espiralada Wittgensteiniana). Esta fotogenia interrogativa emancipa-se performaticamente para desocultar as disseminações da homeostase-visionária no acolhimento-acoplador dos minerais da atemporalidade Deleuzeana e da fecundidade obscura da vida: aqui a Poeta-perfomática defronta as movimentações das analogias, as fracções predominantes da porosidade do renascimento e alimenta-se da rotação vertiginosa-CRUA dos contrastes simultâneos.
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A submersão rítmica-IMAGINÁRIA-polinizadora da interactividade das plasticidades, das correspondências desesterritorializa as imagens sanguíneas-florestais do movimento como a estroboscopia idiomática a ligar-se às pulsações contínuas das regiões mágicas-infopoéticas (a biologia do deserto, da unidade das transposições, da nulidade, da (in)finitude): a continuidade dos planos e das energias nucleares do poema Marcondeano cria dialogicidades e hibridações nas variabilidades perceptivas e nas diversidades linguísticas-ciberpoéticas.

A poeta Gabriela Marcondes ultrapassa as significabilidades ao construir as unidades da sensação do invisível e ao transmigrar nas expectativas magnéticas como fusões germinativas a incandescerem a referencialidade da epistemologia e das organizações espontâneas dos extractos ecológicos-musicais-verbais

Há permanentemente e abaladamente interrogações pulsionais no corpo-imagem das regiões inexploradas onde Gabriela Marcondes exterioriza/interioriza as simultaneidades das metamorfoses propulsoras da descoberta das esfinges e dos elementos da advinhação das fecundidades do mundo. A Poeta inventa a “vontade de potência dos devires” entre as reversibilidades da espiritualização-dos-instintos, aqui intersecciona-se a ARTE da ausência-presênça como um ecossistema lávico a prolongar e acolher os gritos-ecrans do acto perceptivo das figurações inesperadas.
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Os órgãos das sensações visuais conjugam os fluxos do pensamento e absorvem HABITATES-estéticos para se libertarem no REAL das linhas-de-vida onde a impossibilidade se aventura até à espiral obstinada da possibilidade( recriação da realidade a ressuscitar no irreal): ebulição/incandecência poemática de Gabriela Marcondes que numa explosão espontânea-primitiva-cibernética geografa as energias do interior unificadas com as vozes primordiasi do exterior. A Poeta ausculta os não-lugares e as palavras-que-vêm-de-longe e com os ecos da imersão/emersão impulsiona novas realidades no abismo ontológico e na complexa sedução do olhar. Um olhar imaginário sempre a fundir-se entre a visão cosmificadora e a observação das sequencialidades indetermináveis da dinâmica topológica.

Gabriela mostra a relação sedutora entre a visibilidade, a vertigem e os itinerários originários do invisível onde o silêncio-espelho das tonalidades em forma de ritmos astrais proporciona a eclosão da matéria central entre a regeneração do ser e o icebergue do poema. Assim as energias transmutadoras das palavras e da irresistível força do visível-invisível liberta o mapa do desejo, as (IM)probabilidades e as radicalidades meteóricas entre a tridimensionalidade, o passado e o futuro da reordenação geológica-geográfica-orgánica. A ambivalência, a devastação e a desocultação-gestação das perspectivas revelam a incidência prismática da luminosidade sobre o combate convulsivo das sombras onde as travessias do vazio e a vivacidade institual já são uma floresta de montagens fisiognómicas e de cavalgadas integrais do corpo-devir:( desvendar, manifestar e rever o (des)conhecido como o desabrochamento da obscuridade a conferir as armadilhas criativas-estéticas-metafísicas ao desassossego que como uma presença viva flui nos segredos do universo até aos vocábulos resplandecentes das novas dimensões espácio-temporais).

Os poderes sensoriais-ritmicos de Gabriela Marcondes transformam as moradas da vida para além da totalidade racional como uma não-espécie através do fascínio da tecnologia infra-a-Natureza-da-hecceidade e do mistério da linguagem. O movimento e a profundidade perspectivam os hemisférios do imaginário e do inconsciente colectivo/individual: ascese mental ou o cerebro bicameral repleto de reemissões de luz e de ultravioletas na subjectividade das tonalidades Aristotélicas: energias contaminadas pela afectividade dos organismos que buscam os rituais do mistério-real e as celebrações da figura-fundo dos signos pré-babélicos

A POETA da desterritorialização e das fragmentações sobrevive ao crivar ou filtrar a a-historicidade das imagens das profundezas da vida, das impressões da disseminação planetária, das variabilidades perceptivas como as experiências alucinatórias de Aldous Huxley entre as afirmações-ancantatórias do gestualismo, o “efeito de Kuleshov” e a simultaneidade das visões, dos deslocamentos-oftalmoscópios-cibernéticos-tridimensionais.

A textualização antropológica da concepção do mundo-Marcondeano transforma-se sucessivamente através dos fulgores do informulado e das deduções-induções-memórias criando formas velozes-conflitivas Kandinskianas-biomórficas até às origens da desconstrução Blanchoneana numa autodescoberta fragmentária-tipográfica-epidérmica (emancipação da cartografia corporal a unificar os contrários). Os poemas dinâmicos figurativos problematizam as teias da pormenorização multidireccional construindo novas formas de vida com as composições do caos, da heterogeneidade-rizomática e das primeiras energias do ser-devir.

A poeta Gabriela Marcondes fixa a experimentação e transmuta topograficamente até à perceptibilidade das constelações-deslocações estéticas explorando a subjectividade da linguagem criadora e os principios dos simulacros crespusculares-experimentais como uma lente transfiguradora a assimilar e a interagir com os fotômetros das imagens-movimentos-percepções para despinturar, criar novos espelhos e regressar sinestesicamente ao incomensurável , à obscuridade, ao insondável, à profundidade do corpo, à explosão primitiva onde ciberneticamente-humanamente reinaugura a sensorialidade da descoberta do mundo.

 

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[Entrevista com Gabriela Marcondes]

 

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Luis Serguilha nasceu em Vila Nova de Famalicão, Portugal. Poeta, crítico e ensaísta, suas obras são: O périplo do cacho (1998), O outro (1999), Lorosa e Boca de sândalo (2001), O externo tatuado da visão (2002), O murmúrio livre do pássaro (2003), Embarcações (2004), A singradura do capinador (2005), Hangares do vendaval (2007), As processionárias (2008), Roberto Piva e Francisco dos Santos: na sacralidade do deserto, na autofagia idiomática-pictórica, no êxtase místico e na violenta condição humana (2008), KORSO (2010), KOA’E (2011), Khamsin-Morteratsch ( 2011) estes cinco últimos em edições brasileiras. Seu livro de prosa – Entre nós – é de 2000, ano em que recebeu o Prêmio de Literatura Poeta Júlio Brandão. Possui textos publicados em diversas revistas de literatura no Brasil, na Espanha e em Portugal. Alguns dos seus textos foram traduzidos para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, catalão e finlandês. Participou em vários encontros internacionais de arte e literatura. EXPERIMENTADOR das LEITURAS POÉTICAS-METAMÓRFICAS-LAHARS. É responsável por uma coleção de poesia contemporânea brasileira na Editora Cosmorama e Curador do Encontro Internacional de Literatura e Arte: Portuguesia. E-mail: lf.serguilha@hotmail.com




Comentários (2 comentários)

  1. Elio Ramos, Falar em tom de novidade para camuflar a mediocridade da “argumentação”. O tipo clássico do cara que espanta os ainda mais vazios e confusionistas que ele. Têm o que merecem.
    11 abril, 2012 as 17:57
  2. POEMA DILUÍDO & VIDEOVERSO « ditirambospoesia, [...] http://www.musarara.com.br/o-devir-arte-de-gabriela-marcondes [...]
    14 setembro, 2012 as 15:45

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