Novidades literárias e prestidigitação


 

“Quando eu era jovem estava sempre buscando metáforas novas. Depois compreendi que as metáforas realmente eficazes são sempre as mesmas. Ou seja, comparar o tempo com um rio, a morte com o sono, a vida com o sonho. Essas são as grandes metáforas em literatura, porque correspondem a algo essencial. Se você inventa metáforas, costumam resultar surpreendentes durante uma fração de segundo, mas não despertam uma emoção profunda. Se você afirma que a vida é um sonho, afirma um pensamento verdadeiro ou, em todo caso, verossímil, um pensamento que todos os homens tiveram. ‘What oft was thought but ne’er too wel expressed’. Creio que é melhor que a ideia de assombrar as pessoas, de buscar relações entre coisas que antes não haviam estado relacionadas. Por isso, as novidades literárias são uma espécie de prestidigitação.”

[No livro 'Memória de Borges - Um livro de entrevistas'; organização, tradução, prólogo e notas de Floriano Martins para a editora Nephelibata, 2013]