Mito e Performance


MITO E PERFORMANCE EM LUCILA NOGUEIRA: De Imilce à Quarta Forma do Delírio

 

Lucila Nogueira, poeta carioca e recifense, falecida em 2016, uma das grandes representantes da geração 1965, detinha uma poética de toda original, forte, mítica e intercultural, reverberando lendas e conhecimentos ancestrais da humanidade, mas com os pés bem fincados no Brasil e Pernambuco. Representando o Brasil em diversos eventos internacionais, tendo cerca de 35 livros publicados entre ensaio e poesia, é sem dúvida merecedora da republicação de suas obras. Propomo-nos a realizar um resgate das primícias de sua obra poética, quando se definiram suas características, abrangendo de 1978 a 1991 (de Almanara até Livro do Desencanto), todos com mais de 30 anos de publicação, a maioria esgotados.

De origem luso-galega, tem vinte livros de poesia publicados e cinco de ensaio, além de muitos artigos em revistas impressas e online. É professora da Pós-Graduação em Letras e Lingüística da Universidade Federal de Pernambuco, onde vem ensinando disciplinas como Teoria da Poesia, Ideologia e Literatura, Literaturas de Expressão Portuguesa do Século XX e Literatura Hispanoamericana; na Graduação ensina Literatura Portuguesa (Cadeira do seu Concurso Público), Literatura Brasileira, Teoria da Literatura e Língua Portuguesa (Português Instrumental).Tem participado de várias Bancas de pós-graduação e concursos públicos em outros Estados , presença constante em congressos e colóquios, abordando autores desde o período medieval à atualidade.

Seu livro de estréia, Almenara, obteve o prêmio de poesia Manuel Bandeira do Governo do Estado de Pernambuco, no ano de 1978 – essa premiação lhe foi novamente concedida pelo livro Quasar, em 1986, ano do centenário do poeta modernista pernambucano. Ilaiana teve lançamento no centro de Estudos Brasileiros de Barcelona, em 1998; Zinganares, na Embaixada do Brasil em Lisboa, também em março desse ano. Sobre este último, editado em Portugal, foi defendida a dissertação “A moderna lírica mitológica de Lucila Nogueira”, de autoria de Adriane Ester Hoffmann, na PUC do Rio Grande do Sul, sob orientação da professora Lígia Militz (Edições Livro-rápido, 2007). Imilce encontra-se traduzido para o francês por Claire Benedetti (tradutora de Florbela Espanca, Teixeira de Pascoaes e Antero de Quental), aguardando publicação. Lucila foi escritora-residente na Casa do Escritor Estrangeiro de Saint-Nazaire em dezembro de 1999; o livro que lá produziu nesse período, A Quarta Forma do Delírio, foi traduzido por Claire Cayron (tradutora de Miguel Torga, Sophia de Melo Brayner, Harry Laus e Caio Fernando Abreu), ao tempo de súbita desaparição da tradutora.

A poeta Lucila Nogueira perpassa, em toda sua obra, pelo interculturalismo,  desejo e  sensualidade. Devemos lembrar que, nos escritos lucilianos, os mitos ibéricos remetem às suas raízes poéticas, sua origem luso-galega. Dessa forma, em sua “tetralogia ibérica”, iniciada em meados da década de 1990, a autora reuniu as obras Ainadamar, Ilaiana, Amaya e Imilce. Em depoimento ao livro De Imilce a Medellín, a poesia de Lucila Nogueira, Yaracilda Coymet, com muita propriedade, afirmava:

Atravessando fronteiras culturais e desdobrando tapetes míticos nórdicos, essa Sherazade dos tempos modernos nos arrebata em seu vôo viking para muito além de mil e uma noites e léguas. Como bem salientou Cervinskis, a poeta encarna não somente personagens da mitologia escandinava, mas a própria história desses povos, seus delírios, suas paisagens, seus encantamentos. Escorregando, ora pelo diurno, ora pelo noturno, “translucida-se” em uma compleição mitológica ampla, nórdica e greco-romana, nessa obra ímpar. Desacatando a nulidade e o déjà vu, açoitando o desespero e a calmaria ao mesmo tempo, causando encantamento ou surpresa ao passar, Lucila resplende no cenário intelectual e literário recifense com um ímpeto que só os seres transcendentais podem realizar. Extravagante, culta, versátil, autêntica e extremamente humana. Mulher e feiticeira; menina e fada, ela sabe conjugar o verbo amar em todos os tempos, modos e pessoas. Lucila encanta. E reverte o chão poético pernambucano transmutando-o com sua alquimia erudita, independente, inovadora e arrebatadora. (CERVINSKIS, 2008)

Ilaiana (1997), que completa junto com Imilce (2000), Ainadamar (1996) e Amaya (2001) a denominada tetralogia ibérica, em que a autora recorre a mitos e temas culturais luso-hispânicos, trata do mito da “Dama de Elche”, deusa-sacerdotisa do período pré-espanhol (celta). Com influências de mitos semelhantes, “em pedra talhada ou policromada, ricamente vestida e adornada, ostentando uma toucada – suas tranças?, elaboradíssima, ela tem o olhar fixo na eternidade. Preservada desde sua milenária existência, anônima ela e anônimo o seu criador. Pergunta a voz poética: fui a deusa e o touro subterrâneo/ Inanna Astarte Isis ou Cibele/ Uni Tanit fui Juno ou fui Demeter/ que nome me chamavam os iberos? (NOGUEIRA, 1997).Dessa forma, a voz da Dama de Elche perpassa toda obra, assumindo identidades múltiplas, traduzindo em versos o interculturalismo de sua obra:

E eu contemplei atônita o semblante/ da moça igual à dama na estação/ desceu em frente às águas de Alicante/ império de tartéssicas visões./ Mulher sacrificada na pirâmide/virgem sacerdotisa que foi mãe/ nômade – proletária – navegante/ que céu te despencou na corda vã? Grego ou cartiginês esse semblante/no trem com seus dois filhos pela mão/grega cartaginesa ou babilônica são de Creta ou da Síria essas feições? (Poema IV)[...]  Foi quei que eu plantei um CANDELABRO/ de Chipre e o consagrei à luz da lua/ meu pente de marfin veio de Samos/ e os fóceos esculpiram minhas tranças (Poema VIII) (NOGUEIRA, 1997, p. 18.22)

Essa mesma dama viria a aparecer com outra denominação em seu segundo livro, Dama de Alicante (1990), com versos que demostravam o passaporte de Lucila para o onirismo, o simbolismo, o trabalho com mitos e o encantamento pela troca cultural. Assim defende o crítico José Rodrigues de Paiva:

A recriação mítica e simbólica de si mesma, associada à memória proustiana, que emerge de poemas e que entre passado e presente faz ressurgir a infância, o amor, o sonho, a vida e que tudo isso dilui em mescla de luz e sombra numa realidade (ou irrealidade) mágica, dá à poética de Lucila Nogueira uma dimensão que a individualiza na poesia do seu tempo e de sua geração. Essa fusão lírica de vida e sonho, de memória e mito, elementos díspares com que a autora trabalha com grande competência imprimindo a tudo um tom personalíssimo, é que lhe permite falar de si em autobiografismo, expor sentimentos e emoções universalizando-os, sem ter que, necessariamente, os assinar como exclusividades suas (PAIVA apud NOGUEIRA, 1990, primeira orelha).

A Dama de Elche é uma figura mítica criada a partir de um monumento encontrado na região de Alicante, na Espanha. A Dama de Elche, que data do século IV a.C., tem influência helénica, encontrada a 4 de Agosto de 189 e passou a constituir o símbolo de toda uma cultura ibérica. Hoje em dia está exposta no Museu Arqueológico Nacional de Espanha, em Madrid (A DAMA DE ELCHE, 2017)

Desvendando o enigma da dama de Elche, arquétipo da Grande Mãe, como os seus correspondentes mitos Gaia, Ísis, Astarte, Cibele, Perséfone, Maria, mãe de Jesus, Lucila Nogueira vai construindo esplendidamente toda a trajetória de resistência e luta do povo ibero frente aos romanos. Especialmente citado, Viriato, cuja raiz etimológica remete a homem, viril, é o protótipo do povo subjugado, mas guerreiro, combativo, que não aceitou passivamente sua submissão:

Liturgia cristã de outra Perséfone/ perfil de palmas sob o céu aberto/ arrebenta a granada de sua carne/ para ressuscitar em outra esfera (NOGUEIRA, 1997, p. 34)

Fui a deusa e o touro subterrâneo/ INANNA ASTARTE ISIS OU CIBELE/ Uni Tanit fui Juno e fui Demeter/ – que nome me chamaram os iberos? (NOGUEIRA, 1997, p. 21)

Canto gregoriano alicantino/ versos oraculares, EIS-ME AQUI/ drama profano, festa de Maria/ Mãe de sementes, mangrana a se abrir/ (…) Perséfone eu fui, depois Deméter/ duas faces de um ser em redenção/ fui a mãe e fui a filha e sou a espírita/ buscando a identidade eoriginal (NOGUEIRA, 1997, p. 32)

Fazendo parte do que a autora chamou de tetralogia ibérica, por se referir a um verdadeiro estudo poético das narrativas míticas da região ibérica, Ilaiana forma junto com Ainadamar (1996), Amaya (2001) e Imilce (2003) um canto mítico ancestral, especialmente voltado para a luta de povos vencidos, como espanhóis, portugueses, galegos e cartagineses que, na Antiguidade, foram subjugadas pela cultura romana. Assim, já em Ilaiana, Lucila revela a viz escondida de Imilce, a mulher historicamente apagada, mas forte, que grita, quase numa lucidez enlouquecida contra os opressores:

Tentaste atravessar Vinalopó/ Amílcar derrotado pelas águas/ o rio secou: figuras e palavras/ povoam teu jazigo nessa tarde (NOGUEIRA, 1997, p. 16)

Primeiro o mar depois o latifúndio/ primeiro o alfabeto, depois o ouro/ navegante fenício ao Mar Vermelho/ navio cartaginês á Costa Atlântica/ Primeiro o mar – e Elissa deixa Tiro/ primeiro o mar – e Amílcar chega á Espanha/ navegante fenício ao Mar Vermelho/navio cartaginês à Costa Atlântica (NOGUEIRA, 1997, p. 37)

Como explorei no livro De Imilce a Medellín: a poesia de Lucila Nogueira (2008), a obra Imilce (2003), a que Ilaiana nesse trecho faz referência, retrata o “lado oculto” das histórias dos grandes heróis, pois coloca a voz da amada, Imilce, como ponto de partida da trajetória lírica. O livro, na verdade um poema em 4 vozes, de pouco mais de 90 páginas, é um canto de tristeza e desencontro das mulheres e filhos dos soldados que vão às guerras, em todas as épocas. Fala também dos conflitos políticos que encadeiam tragédias humanas, como em todas as guerras. Os personagens são o próprio Aníbal, sua mãe, seu filho e Imilce. Coroamento dessa tetralogia, em ordem cronológica e lírico-narrativa, Imilce é na minha opinião de crítico o melhor livro de Lucila de todos os tempos; não somente pela sua unidade estético-rítmica – é um poema em 4 vozes, um texto dramático a ser declamado (talvez por isso envolver tanto o leitor), mas principalmente porque é o canto feminino por excelência dessa poeta que soube unir o olhar feminino do mundo às narrativas míticas.

Por outro lado, podemos perceber uma perspectiva feminina e não tanto feminista – por não caracterizar-se por uma engajamento panfletário (a própria autora reconhecia não haver poesia feminina ou gay ou afro, mas POESIA). Assim, o processo de personificação lírica desenvolvido por Lucila Nogueira inclui recursos dramáticos monologais que navegam desde a atmosfera clássica a um contexto de performance pós-moderna. No caso específico desse livro, o discurso poético se sustenta a partir da formulação mítica que desdobra a voz lírica em alegorias de mulheres que passam a conviver como estátuas vivas no universo dos leitores desse fantástico imaginário da autora carioca radicada no Recife.

A Quarta Forma do Delírio (2003), um livro que, mesmo fora da tetralogia ibérica, em minha opinião, dialoga com ela, trata dos mitos celtas e bretões, como os da Távola Redonda, Rei Artur e o Santo Graal. Resultado de uma residência artística realizada pela autora em Saint-Nazaire (França), em 1999. Região anteriormente dominada pelos celtas, o norte da França, juntamente com a Ilha da Grã-Bretanha, desenvolveu toda uma cultura miscigenada, com elementos pagãos e cristãos, resultado da incursão do cristianismo em terras dos chamados “povos bárbaros’ na Idade Média. Com sensibilidade aguçada, a autora vai perceber tais influências, palpáveis nos seguintes versos:

Esta era a escada dos druidas/ e eu sou a Veleda a druidesa/ meu canto tem poder/ de dissolver tempestade/ guardiãs do santuário de Teutates/ ninfa celta/ sacerdotisa armoriana/ imagem de Bretanha (Fala de Veleda); Ouve o canto da druida/solitária/ tu estás sob a minha/ proteção/ visão que eu atraí/armoricana/ eu me chamo Merlin/ o Encantador (Fala de Merlin) (NOGUEIRA, 2003, p. 41.44).

Pois, como afirma Lourival Holanda na orelha deste livro acerca a relação memória e mito nessa obra de Lucila que seria como que um quinto elemento de sua pesquisa lírico-narrativa:

Lucila cruza – no sentido fecundo – caminhos reais que agora dão uma outra gravidade à memória de seu imaginário poético. O impacto da praia rochosa de Saint Marc. Os caminhos imemoriais por onde nossas lembranças se cruzam: os índios brasileiros que por ali Montaigne recebeu. Hoje, é Lucila recebendo os eflúvios poéticos de celtas, de Carnac, da beleza bárbara da Bretanha. (NOGUEIRA, 2003 – orelha)

Assim, Lucila Nogueira, especialmente nas obras Imilce (2003), vai desenvolver, com toda maestria, um poesia forte, mítica, com profundas raízes identitárias. Incorporando sua herança ibérica e o tempero da cultura brasileira, vai enxertando, em sua obra, a miscigenação poética de elementos de culturas européias, ciganas, celtas, cristãs e, evidentemente, brasileiras. Isso porque,  segundo Gilbert Durand (1989, p. 148), “todo  texto, contém, de forma subjacente, um mito”. Mas livros como Imilce, por exemplo, não possui os mitos nem de forma subjacente, mas de forma emergente. Dessa forma, percebe-se nele claramente as referências às mitologias judaico-cristã (ao pé do Líbano/ os homens de púrpura/ sidônios do deserto/ Canaã/ muros de Jericó - p 77) e greco-romana (cabeleira de Vênus e Verbena - p. 48); Há também outras específicas, como a ibérica, a celta, a judia, a dos ciganos, mesmo de épocas específicas, como a inquisição e as cruzadas: minha mãe viu fogueiras no caminho (…) e disse na loucura: inquisidores (p.96); viu soldados diferentes (…) lutando/ contra os mouros do oriente/ e disse na loucura:/ são cruzadas (p. 96).

Dessa forma, em Imilce, a autora faz um inusitado poema em quatro coros dos quais duas são de mulheres, igualando os gêneros. Fala da dor das mulheres esquecidas por seus maridos antes e depois das guerras. Desmascara os transtornos psíquicos, como a loucura ou alucinações, que acometem IMILCE quando de seu abandono. Realiza, sem proselitismos, uma obra feminina e feminista, dando destaque às mulheres.

Os autores contemporâneos, tentando surpreender o leitor, por vezes chegam a vulgarizar seus versos, conforme crítica da própria poeta, ao explicar o processo de criação dessa tetralogia ibérica:

Tomado, assim, o sonho em sua estrutura metafórica, tem-se como resultados os enigamas propostos. Sendo a tota allegoria um modo de inventar que pensa o mundo de um ângulo especial pode atuar referida á arqueologia na operação de recuperar um sentido oculto em um monumento, no caso, a dama de Elche. Esta arte poética que se oferece neste livro (Ilaiana) de emblemas produzidos como antídoto ao estigma de banalidade que vem imobilizando ao que alguns pretendem chamar verso contemporâneo (NOGUEIRA, 1997, nota da autora – grifos nossos)

Não acontece isso, porém, com Lucila Nogueira. Mesmo focando no desejo, tem por vezes tratado com descuido ou exageros, a autora nos leva a concluir que o amor se constrói, ao contrário, com cumplicidade e amadurecimento (Poesia em Medellín, 2006):

Descobre quanto dura o seu fascínio/ o ímpeto sagrado de tua pele/ pois o amor, se é senhor, não sai vencido/ o sangue é breve, a morte muito longa/ e o futuro uma carta do destino (Tentação); que amar é arte/ de se fazer presente/ e tudo aquilo que precisamos/ é de poesia/ loucura e êxtase/ no ato heroico de reabrir as portas/ da carne mansa que se esquivou. (Mas não tardes tanto) (NOGUEIRA, 2006).

A autora sabe que o amor não aguarda os amanhãs: Tudo agora se tornou tão urgente; mas não demores tanto (Mas não demores tanto). Em diversos trechos, a narradora poética de Lucila apresenta sua ânsia por amar: gosto de amar assim avidamente/ fogueira terremoto tempestade… (Decisão); (…) e sou febre incessante, obsessiva/ numa ansiedade para além da vida (Identidade). Mas se deve fugir aos estereótipos: porque naquele tempo/ o amor era como um príncipe bêbado e forçosamente indu (Mas não demores tanto).

Seguindo essa coerência autoral, vê-se que a linha pós-moderna que abraçou em determinados livros posteriores a Imilce (2000), que  nunca é  abandonada, voltando a poeta, mesmo no universo  das evocações mitológicas, a abordar técnicas experimentais da contemporaneidade, como notadamente em seus livros Refletores (2002), Bastidores (2002), Desespero Blue (2003), Estocolmo(2004). Conforme afirmei em 2009, na passagem dos 30 anos de poesia da autora, em crônica literária no site de Wellington de Melo:

Lucila Nogueira vai desenvolver, com toda maestria, um poesia forte, mítica, com profundas raízes identitárias. Incorporando sua herança ibérica e o tempero da cultura brasileira, vai enxertando, em sua obra, a miscigenação poética de elementos de culturas européias, ciganas, celtas, cristãs e, evidentemente, brasileiras. (…). Em seus quase 40 anos de carreira poética de Nogueira, fica para nós a obrigação de reverenciar autoras autênticas como ela, com uma obra original, genuína, que não tem medo de cruzar as fronteiras de nosso país. Que incorpora a força da identidade ao desejo, traduzindo-os em versos de pura magia e revelação, verdadeira fruição literária que resvala num prazer estético. Lucila Nogueira, certamente, foi e é uma dessas autoras; carioca assumidamente nordestina, pernambucana, brasileira mas com os seus  pés no mundo inteiro (CERVINSKIS, 2016).

A linguagem poética, expressa por um uso sequencial de unidades submetidas a poucos paradigmas, insiste na representação dos mesmos elementos emotivos, os quais se intensificam pelo espelhamento interno também do significante. A mimese interna e ao aprofundamento da interiorização são especificações linguísticas e psicológicas peculiares ao gênero lírico. A função poética da linguagem, que projeta o princípio de equivalência do eixo da contiguidade, mostra que a estrutura do poema é uma das formas de representação da existência, segundo José Guilherme Merquior (apud HOFFMAN, 2001, p. 23).

Tal análise parece-nos adequada por funcionar como contraponto analítico à permanência de um mundo em que as mulheres ainda precisam lutar por seu espaço social, cultural e profissional, vivendo ainda subjugadas no âmbito intelectual e artístico (não conseguindo o mesmo destaque que os homens) e profissional (ganhando menos e trabalhando igual a eles).

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

A DAMA DE ELCHE. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dama_de_Elche. Acesso em: 26/01/17.

CERVINSKIS, André. De Imilce a Medellín: a poesia de Lucila Nogueira. Recife: Livro Rápido, 2008.

DURAND, Gilbert. A imaginação simbólica. São Paulo: Cultrix, 1988.

HOFFMAN, Adriane Ester. A Moderna Lírica Mitológica em Lucila Nogueira. Olinda: Livro Rápido, 2007.

PAIVA apud NOGUEIRA, Lucila. A dama de Alicante. Rio de janeiro: Oficina do Livro, 1990.

NOGUEIRA, Lucila. Imilce. Recife: Cia. Pacífica, 2000.

_____.Lucila Nogueira, poesia e identidade universais. http://pt.wikipedia.org.http://wellingtondemelo.com.br/site/2009/09/lucila-nogueira-poesia-e-identidade-universais.Consulta em: 06/04/2016.

NOGUEIRA, Lucila. Almenara. Rio de Janeiro: Civ. Brasileira, 1979.

____. A Dama de Alicante. Rio de janeiro: oficina do Livro, 1990.

____. A Quarta Forma do Delírio. 2ª. Edição, Recife: Bagaço, 2003.

____. Estocolmo. Recife, Livro Rápido , 2004.

____. Ilaiana. Enigmas de Elche. Recife: Cia. Pacífica, 1997

____. Livro do Desencanto. Recife: Saveria, 1991.

____. Poesia em Medellín. Recife: Bagaço, 2006

PITTA, Danielle Rocha. Iniciação à Teoria do Imaginário de Gilbert Durand. Manuscrito, Recife, 1995.

 

 

 

 

 

 

 

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André Cervinskis é jornalista, ensaísta, mestre em Linguística pela UFPB. Produtor cultural, com vários projetos aprovados pelo FUNCULTURA-PE na área de Literatura. Com várias premiações nacionais e internacionais, tem 13 livros publicados em autoria própria e coautoria. Colabora com o site Interpoética e o jornal U-carboreto, ambos de Pernambuco, e o periódico Correio das Artes na Paraíba. Mora em Olinda-PE e teve avós lituanos. E-mail: acervinskis@gmail.com

 




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