Livros à mancheia


 

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LUIZ BRAS

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Cinquenta Poemas

Autor: Gérard de Nerval
Tradução: Mauro Gama
Editora: Ateliê

Os enigmas em verso de Gérard de Nerval (1808-1855) são todo um continente lírico e esotérico ainda parcialmente compreendido e apreciado no Brasil. Sua angústia ontológica – Nerval suicidou-se pouco antes de completar 47 anos – fundia e confundia alusões biográficas, históricas e mitológicas com a intensidade furiosa de que só a mais vigorosa rebeldia romântica era capaz.

É certo que sua vida desregrada, o gnosticismo, as dívidas, as viagens tresloucadas, os surtos psiquiátricos, tudo isso ajudou a ampliar a aura mística e maldita de sua obra. Mas também é certo que, pagando na mesma moeda, o alto valor de sua obra ajudou a consolidar a imagem excêntrica e trágica de sua biografia.

Ficou a cargo do poeta e tradutor Mauro Gama a seleção, tradução e apresentação dos cinquenta poemas mais radicais de Gérard de Nerval, antologia que inclui obras-primas como “Nossa Senhora de Paris”, “Cristo no Jardim das Oliveiras” e “El Desdichado”.

 

Eduardo Coutinho
Autores: Vários
Organização: Milton Ohata
Editora: Cosacnaify & Sesc-SP

Um dos grandes documentaristas de nosso cinema, responsável por obras-primas como “Cabra Marcado para Morrer” (1984), “Edifício Master” (2002) e “Jogo de Cena” (2007), Eduardo Coutinho ganhou uma homenagem à altura de seu talento. Organizado pelo historiador Milton Ohata, o tijolinho de 704 páginas lançado agora reúne um número expressivo de colaboradores, intervenções e depoimentos iluminados.

Quase impossível é respeitar a inevitável organização enciclopédica, que concentrou o material em quatro partes: “Cinema em Três Tempos” (reflexões, ensaios e resenhas do próprio Coutinho), “Entrevistas”, “Memórias e Retratos” (depoimentos de colaboradores) e “Caminhos e Descaminhos de um Cineasta” (reunião de análises da obra do documentarista). Em vez da leitura em linha reta, mais prazerosa é a leitura salteada, ao sabor do acaso, passando, por exemplo, de uma resenha da série “Kung Fu” para um ensaio de Ismail Xavier e daí para uma entrevista concedida à revista Contracampo, e voltando.

 

Os Sonhos Teus Vão Acabar Contigo
Autor: Daniil Kharms
Tradução: Aurora Fornoni Bernardini, Daniela Mountian e Moissei Mountian
Editora: Kalinka

“Não há originalidade que resista a um bom levantamento bibliográfico”, disse Raymond Queneau. Verdade bendita, verdade maldita. Parte da originalidade de Gonçalo M. Tavares desaparece quando descobrimos Alberto Pimenta. Parte da originalidade de Alberto Pimenta também vai para o ralo quando descobrimos Eugène Ionesco. Então surge esse desconhecido Daniil Kharms e desbanca todo mundo.

Mais um transgressor soviético genial entre tantos massacrados por Stalin e sua quadrilha, Kharms viveu apenas 37 anos, de 1905 a 1942. Foi preso e exilado duas vezes. Acabou morrendo numa cela psiquiátrica. Uma década após sua morte, a maior parte de seus textos ainda circulava às escondidas.

“Os Sonhos Teus Vão Acabar Contigo” reúne ficções, poemas e uma peça de teatro, tudo coordenado pelo melhor nonsense, pelo mais sensato absurdo. É o humor vingando-se do Estado e das toupeiras do realismo socialista. O volume traz também o “Manifesto da Associação para uma Arte Real”, que Kharms ajudou a criar.

 

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RONALD AUGUSTO
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Felizmente passou

Entre as três leituras significativas, deste ano de 2013, que gostaria de destacar, apenas uma foi efetivamente surpreendente e, por isso, começo por ela. Trata-se do livro Las montañas del oro do poeta argentino Leopoldo Lugones, um dos mestres de Jorge Luis Borges. A obra foi publicada em 1897, mesmo ano de publicação do poema Un coup de dés de Mallarmé. Lugones inicia seu percurso poético com Las montañas del oro. O conjunto é cheio de excelentes poemas em prosa, mas muitos deles conformados à métrica. Como um poeta ligado à escola simbolista, Lugones gosta das formas híbridas, assim, ao invés de fazer uma espécie de transição do verso medido para o livre, experimentando no meio do caminho o poema em prosa, que é de ritmo mais distenso, ele dá à prosa o vertebrado do verso metrificado, de onde resulta uma bela tensão. Além disso, Leopoldo Lugones é muito bom no campo visual, tem imagens poderosas. Por divertimento, gosto de definir Lugones como um baita simbolista francês que, por alguma razão, resolveu escrever seus poemas em espanhol; talvez seja por isso que em vários momentos sua linguagem acaba por neutralizar a aspereza constitutiva do idioma de Cervantes.

A segunda leitura, que na verdade ainda não está finalizada (falta pouco), é a Metafísica de Aristóteles. Um clássico. Isto significa, simples assim, que deve ser lido, ponto. Um clássico cuja leitura vale o cansaço de cursar filosofia aos cinquent’anos da minha idade. Só mesmo um filósofo tão desanuviado – et pour cause, grego – e que opera com a perplexidade a partir do senso comum, poderia conceber o apetite pelo conhecimento do seguinte modo: “…devemos partir do que mal-e-mal é cognoscível, mas cognoscível para nós, e procurar chegar ao cognoscível absoluto, por via como dissemos, daquelas mesmas coisas de que temos conhecimento”. Anoto que dou ênfase na passagem citada ao aspecto prospectivo desse movimento, isto é, interessa o que nos é mal-e-mal cognoscível. Agora, quanto à pretensão ao “cognoscível absoluto”, isto fica pra bem mais tarde.

A última leitura não chegou a ser um prazer, mas uma enorme frustração, quer dizer, foi de “tirar o fôlego”, mas ao revés, em escala negativa. Reli Toda Poesia de Paulo Leminski e saí desanimado dela. E tal sensação se produziu a partir da seguinte intuição: quando lia os poemas (as tiradas) de Paulo Leminski era como se eu estivesse lendo poemas de poetas da minha e da geração subsequente tal é a facilidade com que essa poesia se oferece à imitação. Afinal, quem joga com quem? Parece haver algo de mórbido ou de fantasmagórico nisso, porque – admitindo que o ar esteja efetivamente viciado – tudo leva a crer que Leminski é que posa como o diluidor deles. Uma originalidade tão pavimentada quanto exausta. Paulo Leminski sobrevive (mal e banalmente) em seus imitadores retardatários. Com isso não isento Leminski, em outras palavras, o retardamento poético não deve ser imputado tão só aos seguidores e admiradores, mas ele é como que uma transformação dos predicados da poesia do poeta de Curitiba. Enfim, já escrevi longamente sobre esse best seller de 2013 e também fui apedrejado por isso. Não houve réplica crítica, como de hábito, mas tão só cusparada reativa de fãs devotos do poeta judoca. Tudo bem, felizmente passou.

A todos, meus votos de excelentes leituras em 2014!
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FLORIANO MARTINS


Livros fundamentais de 2013
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Foi um ano vigoroso em termos de edições dentro do Brasil, seja do ponto de vista da tradução de obras de autores estrangeiros, do estudo crítico sobre a obra de autores brasileiros ou da reunião de ensaios de circulação em imprensa. Ano bom também em termos de obras de criação. O maior dilema na produção editorial brasileira, no entanto, se avantaja visivelmente este ano. Os livros mais fundamentais à formação e/ou renovação de uma cultura literária são editados por pequenas ou médias editoras. As grandes editoras mantêm seu estoque previsível de subserviência à voracidade de um mercado internacional. Uma lástima, em um país que desesperadamente necessita da integridade de algumas funções básicas em sua estrutura social. Tenho aqui que destacar três títulos e o farei. Contudo, desde já recordo que os mesmos três livros que mencionarei possuem, pela própria natureza do tema de que tratam, variações críticas de seus temas, além de um estímulo a ampliações valiosas em torno de autores correlatos.

Vamos a eles:

Perversos, amantes e outros trágicos, de Eliane Robert Moraes.

Eliane Robert de Moraes reúne seus estudos sobre Bataille, Aragon, Sade, Kafávis, Breton, Foucault etc., em um livro espectral, de diálogo com a obra escolhida redimensionando-a do ponto de vista crítico.
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A arqueologia do resíduo: os ossos do mundo sob o olhar selvagem, de Marcus Rogério Salgado.

Marcus Salgado dedica seu melhor olhar crítico a observar raiz e desdobramento da poética de Flávio de Carvalho, um de nossos mais expressivos nomes vinculados às vanguardas.

Gregory Corso – antologia poética, de Márcio Simões.

Eu mesmo tratei de inserir, em coleção que dirijo para a Nephelibata, de Santa Catarina, uma antologia do poeta Gregory Corso, preparada por Márcio Simões. O livro ajuda a compreender melhor a atuação da Beat Generation, graças a uma de suas mais autênticas vozes poéticas. São três livros que se destacam pelo que dão de atenção a aspectos furtivos aos olhos de nossa crítica literária (um termo hoje lastimavelmente inócuo, pois não sei, sinceramente, a quem invocar quando me indagam pelo tema).
As editoras? Respectivamente: Iluminuras, Antiqua e Nephelibata.

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AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

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A Maçã de Antes
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de  Lila Maia, Ed. Oficina (poesia).
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Ilhéu, de Edson Cruz ( poesia), Ed. Patuá.
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De gados e homens, de Ana Paula Maia, Record.
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Batalha de amor em sonho de Polifilia, de Claudio Giordano,  Imprensa Oficial SP/Oficina do Livro.

 

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DIRCE WALTRICK DO AMARANTE

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Eis a minha lista:

1. Romance: Reflexões do Gato Murr (Editora Liberdade), de E.T.A.Hoffmann, tradução de Maria Aparecida Barbosa, pela ousadia da forma e da visão de mundo. Um dos maiores romances do século XIX.

2. Poesia: Antologia ilustrada da poesia brasileira (Casa da Palavra), organizada e ilustrada por Adriana Calcanhoto, pela sensibilidade na escolha dos poemas que compõem essa sedutora seleção.

3. Conto: O desencontro dos canibais (Iluminuras), de Sérgio Medeiros, pela tentativa bem conduzida de conciliar o mito indígena com uma visão contemporânea do Brasil, explorando o nonsense poético.

 

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PEDRO MACIEL

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Nova antologia pessoal
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de Jorge Luis Borges (Tradução de Davi Arrigucci Jr e Heloisa Jahn; ed. Companhia das Letras)

É lugar comum situar Borges como o pai da literatura fantástica latino-americana, ou como um reinventor de lendas e fábulas medievais. Borges mistificou os leitores ao imitar vários idiomas de épocas distintas. Escreveu ensaios sobre livros que nunca foram escritos. Inventou histórias que poderiam ser reais. Imaginou biografias de autores que nunca existiram. Quase tudo já se falou do escritor que conta/canta a história da eternidade. Do ensaísta que se transforma em contista, do historiador que recupera o memorialista, do biógrafo que inventa o ficcionista, do poeta que sucede ao linguista. O autor de “Nova Antologia Pessoal”” releu a biblioteca da humanidade com o objetivo de confirmar a inexistência do conceito de originalidade e, talvez, verificar que “os grandes versos da humanidade não foram ainda escritos”. Essa é a imperfeição de que alegra-se nossa esperança.

Ulysses, de James Joyce (Tradução de Caetano W. Galindo; ed. Companhia das Letras)

“Ulisses”, romance-experiência de James Joyce, escrito entre 1914-1921, é uma obra fundamental da ficção do século XX. Joyce ousou inventar uma prosa-poética que ainda hoje é vista com estranhamento pelas cabeças normais do público leitor. “Ulisses” recupera a linguagem em seu estado natural, anterior à gramática.

O professor do desejo, de Philip Roth (Tradução de Jorio Dauster; ed. Companhia das Letras)

“O professor do desejo” é um romance de formação exemplar. A juventude, os anos na universidade e a descoberta da sexualidade do acadêmico judeu David Kepesh são observados por Philip Roth com maestria narrativa e profundo senso cômico.
Os romances de Roth são narrados através do humor, da sexualidade e da própria literatura como elementos principais do livro. Pode-se afirmar que este romance já é clássico da literatura contemporânea.

 

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E. M. DE MELO E CASTRO
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Os três livros de 2013 que li e recomendo são os seguintes;

- A Tranformação Metalinguística na Poesia de Edgard Braga, de Beatriz Helena Ramos Amaral, Ateliê Editorial, São Paulo, 2013

- Ilhéu, poemas, de Edson Cruz, Ed. Patuá, São Paulo, 2013

- O Retrato do Artista Enquanto Foge, Poesia Completa (2007-2012) de António Vicente Seraphim Pietroforte, Annablume, São Paulo, 2013
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MAURICIO SALLES VASCONCELOS
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3 Livros 2013

Destaco três livros publicados justamente em 2013 –

Um ano decisivo, deflagrador de coisas novas para o Brasil (e, também, pra mim)

Os dois primeiros volumes da trilogia Projeto Nocilla, do espanhol Agustín Fernández Mallo foram traduzidos para o português: Nocilla dream e Nocilla Experience. Um marco da narrativa de agora pela potência apresentada na entrega à vida presente, em sua dimensão mundializada e numa voltagem de fato transdisciplinar, por força de sua alta elaboração conceitual – embasada na física (campo de formação do autor) –, sem perda da imantação sobre o leitor. A escrita de Mallo instala uma outra época para o livro e a literatura;

Exemplos, de João Vário. Pela primeira vez (Editora Tinta-da- China, Lisboa), é publicada fora do continente africano a obra poética do autor cabo-verdiano. O lastro testemunhal contido nos nove volumes do projeto Exemplos não se dissocia de uma densa formulação verbal, guiada por um sentido genealógico da história da poesia e do século XX. Possivelmente, o maior poeta africano da contemporaneidade;

Conglomerado NewyorkaisesLivro-álbum de Hélio Oiticica, que reúne suas experiências escriturais no início dos anos 1970, em Nova York. A incursão textual do artista vibra na faixa de suas concepções cenoplásticas. Mostra-se reveladora do instante em que ele intervém na arte-ambiente (e no ambiente da arte), assim como nos rumos da criação visual. Situa o lugar central que é Manhattan no espaço extensivo de uma voragem inventiva absolutamente atual e antropofágica (num sentido mais amplificado, nada dialético, do credo modernista).

 

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ANA RÜSCHE

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as escolhas são sempre afetivas, meio dentro do próprio mundinho, até peço desculpas, mas os que lembrei de bate-pronto são (não há ordem de precedência):

Iluminuras, Vanderley Mendonça, Editora Patuá.

Desnorteio, Paula Fabrio, Editora Patuá.

As visitas que hoje estamos, Antônio Geraldo, Editora Iluminuras.

 

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MARCELO ARIEL


Meu coração de pedras pomes,
de Juliana Frank  ( Cia das Letras).

Falar do deslocamento e da inadequação com ironia , humor e lirismo é um dos maiores trunfos desse romance, uma poesia que não nasce do cálculo esquemático típico dos poetas ou seja que não quer ser poesia está presente em vários momentos do livro. É um belo livro sobre a libertação pelo mergulho no estranhamento do mundo e também na loucura, Juliana coloca em seus livros uma voz feminina que não está tão comprometida com a dicotomia entre tragédia e comédia, trata-se de uma Hilarotragédia para usarmos uma expressão criada pelo genial Giorgio Manganelli e a Lawanda , personagem central do livro está para G.H. de Clarice como o Arturo Bandini de Fante para o Aschembach de Mann, ela se liberta da couraça ou da casca da indulgência para poder enfrentar com as armas do distanciamento irônico a selva da loucura.

Servidões, de Herberto Helder ( Assírio & Alvim).

Herberto Helder aos 83 anos escreveu este que é uma espécie de ‘ Confissões’ ao modo de Santo Agostinho mas invertendo a premissa do livro do Santo ao colocar o corpo como algo maior do que tempo e no lugar ‘ do Deus’ ou seja ‘ da metafísica’, Herberto é uma espécie de místico laico e sempre acusado por seus pares de alimentar um culto de personalidade às avessas , um paradoxal desejo de aparecer pela desaparição, que me parece uma espécie de atitude similar a de Rimbaud, mas isto merece um ensaio de fôlego e um post do facebook não é o espaço ideal. Vida e poesia continuam sendo magias que geram cosmovisões complementares acessíveis a qualquer um na obra do enigmático bardo português. Uma espécie de réquiem, de diálogo com a brutalidade e ferocidade feminina da vida como potência do ser escrita no âmbito de sua própria morte, mais do que uma súmula aqui Herberto Helder empreendeu uma quase negação de sue livro anterior, o extraordinário A faca não corta o fogo. Helder converte seu monólogo interior cada vez mais imanente em algo muito próximo do que fez Bob Fosse no filme All That Jazz , uma coreografia  vívida em uma dança com o espírito do terror  sempre de mãos dadas com uma intensa  alegria atravessada por  memórias  de sonhos muito mais reais do que a realidade, mais um tratado de  magia do que um livro de  poesia.

Espiral Terra, de Maurício Salles Vasconcelos ( Annablume).

Ouso afirmar que este é um dos ensaios seminais para o estudo da poesia contemporânea em língua portuguesa  e não apenas por incluir poetas que passam longe do esquematismo neo ou pseudolírico  ou evitar o estabelecimento de um cânone congelado e totalitário, aqui entra uma questão que me é muito cara , Maurício analisa com brilhantismo e perspicácia meu livro Tratado dos anjos afogados , analisa a obra de Herberto Helder, de Manuel de Freitas e outros, existe uma abordagem dos poemas destes autores como cosmovisões e não apenas como recortes minimizantes e esquadrinhadores focados em uma visão vinculada a escola marxista ou outras igualmente totalizantes, Maurício sabiamente aqui, foge do recorte sociológico que tem feito muitas vitimas principalmente no campo da análise literária, foge de quaisquer absolutismos críticos  e consegue dialogar com as obras em suas diferenças , heterodoxias e sutilezas abrindo em cada uma delas suas conexões com o cosmo de comunicares densos abrigados nestas escritas profundamente vinculadas a um pensar denso do mundo como parte do caos e do cosmo  que é cantado por estes poetas em seus livros. Maurício também desenvolve ligações  visíveis para leituras atentas e com o olhar livre entre  os movimentos cósmicos dentro de um pensamento que se afina com poderosos devires da Terra e a vocação dialogal destes  mesmos devires com o imanente acontecer de imagéticas hierofânicas.
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MARIA ESTELA GUEDES

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TRÊS LIVROS DE 2013

Podia dizer que Um bilhete para o Teatro do Céu foi o mais significativo livro publicado este ano, mas faltar-me-ia depois a justificação, à parte a circunstância de o assinar eu…

Estou a ler ainda, de António Cândido Franco, as Notas para a compreensão do surrealismo em Portugal, com valiosos contributos deste autor para o movimento que tanto tem estudado e em cujo âmbito é possível integrar a sua própria obra poética. António Cândido Franco tem sido o defensor da modernidade de Teixeira de Pascoaes, e precisamente de uma modernidade gémea da surrealista, aquela em que Mário Cesariny de Vasconcelos se funda para garantir que Teixeira de Pascoaes é poeta bem mais importante que Fernando Pessoa.

A solidão de Caronte é um livrinho de versos de Homero Gomes, enviado do Brasil. Alguns poemas foram estreados no Triplov. Soube muito bem relê-los nesta Europa em que a cultura de Caronte se originou.

Os últimos são sempre os primeiros: Servidões, de Herberto Helder, um livro tão diferente de todos os outros dele, e que recebeu atenção de grande parte dos participantes do colóquio que a Sorbonne, de parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, lhe dedicou nos passados dias 14 e 15 de novembro, em Paris. Obra apresentada como última, mas que será apenas a publicada mais recentemente por este grande poeta que também se relaciona, como Teixeira de Pascoaes, com o surrealismo em Portugal.

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RAIMUNDO CARRERO

O drible, de Sergio Rodrigues, Cia das Letras.

Nossos Ossos, de Marcelino Freire, Record.

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ADEMIR DEMARCHI

Alguns dos melhores livros que li neste ano de 2013-12-17

O Evangelho Segundo Hitler, de Marcos Peres – Rio de Janeiro: Editora Record – Prêmio Sesc de Romance 2013Divertido e bem elaborado romance que brinca com o universo borgiano, a ponto de transformar Borges num personagem e criar um outro Borges em quase tudo parecido com o verdadeiro, sendo, porém um raivoso e medíocre escritor que busca vingança contra o verdadeiro Borges que lhe faz sombra.

Colar de Maravilhas, de Miriam Paglia Costa, publicado em 1981 por Massao Ohno – Roswitha Kempf Editores, com ilustrações de Darcy Penteado, que recebeu o Prêmio de Revelação Literária da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e foi elogiado por escritores como Carlos Drummond de Andrade, Millôr Fernandes e Paulo Rónai; a contundência poética sobre a infância e a vida às margens do Rio Tibagi na Londrina dos anos 1950 para os anos 1960 é notável.

Brisais, de Jaques Brand, publicado em 1997 pela Fundação Cultural de Curitiba e que, nos poemas, podemos encontrar exemplos de como a relação com a tradição pode ser divertida e interessante, sobre como a tradução pode ser transcriativa sem ser pedante; sobre como a poesia é sinônima de amizade e irmanamento que se dá tanto com os autores que se lê e se traduz ou transcria, quanto com os poetas e leitores contemporâneos com os quais se compartilha essa experiência.

Dalton Fêmea, de Lelia Leite – Curitiba: Anarco Vigaristas Editores,1995, Coleção Publica Quieto. – Primeiro e único livro dessa escritora curitibana que já no título se saiu com uma ideia impagável: uma versão feminina de Dalton Trevisan. O livro reúne contos curtos e bem escritos que muito lembram o estilo cortante e irônico de Dalton, porém narrados por uma mulher, a tal Dalton Fêmea.

Tão breve quanto o agora, de Alvaro Posselt, Edição do autor, Curitiba. O senso de observação, o senso de humor, a argúcia são qualidades comprovadas nesse livro de haicais que se alinha com cultivadores como Millor Fernandes, Domingos Pellegrini e Leminski.

Diálogos com Leucó, de Césare Pavese (Cosac Naify). Nesses Diálogos o autor reúne 27 conversas entre seres mitológicos – deuses do Olimpo, titãs e mortais –, sobre o que considerava as questões fundamentais da natureza humana: o destino, a violência, o amor, a morte, a poesia e a dor. Esse livro é caracterizado por uma linguagem clássica, inspirada em autores como Homero, Hesíodo, Sófocles e Dante. Mas também em Shakespeare, assim os textos variam entre uma conversa filosófica e uma representação teatral. É ótimo, por exemplo, o diálogo das feiticeiras Circe e Leucó sobre o herói Ulisses que, em sua masculinidade, desafia o poder da feiticeira, obnubilado por sua condição de, antes de ser feiticeira, ser mulher.

 

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CHICO LOPES

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O Velho Graça,
de Dênis de Moraes, biografia de Graciliano Ramos que me agradou, porque para mim é impossível não ler tudo que se escreveu sobre Graciliano, meu escritor brasileiro mais amado. O gênero entrou em debate acirrado em 2013, mas, quando praticado com dignidade e talento, é simplesmente tão bom quanto qualquer outro e pode trazer enormes prazeres para o leitor.

Desfamiliares, de Leila Míccolis – Estive no lançamento deste livro de Leila em Belo Horizonte e conhecê-la foi um enorme prazer. Mais prazer ainda tive com a antologia, que reúne produções de Leila desde os anos 60, sempre provocativas, algumas de uma delícia e uma ironia social incríveis, coisas pra se transcrever mesmo.

Antes do fim, de Ernesto Sábato – Depoimento de arrepiar do grande escritor argentino que, como diz o título, se aproxima da morte e do desnudamento amargo e vulnerável necessário de um fim de existência. Mas quanta glória nessa vulnerabilidade! Um belo livro.

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MARIEL REIS

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Farpas

Cada vez mais estou afastado das livrarias. A constatação ocorreu quando o editor Edson Cruz, sítio Musa Rara, solicitou que lhe apontasse três livros lidos nesse ano, de lançamento recente e que tenham impactado a minha sensibilidade. Lembrei-me que por duas ou três vezes entrei em uma livraria, folheei os livros dispostos na mesa com a placa de LANÇAMENTOS -, com má vontade. Qual o motivo de tanto mau humor? Explico. Um dos livros tinha recebido uma resenha-release de um importante jornalista, que o colocava entre as sete maravilhas da humanidade. Os comentários críticos na contracapa do livro enfatizavam o brilhantismo da escrita. Enfileirados os adjetivos, a única conclusão possível: estou diante de uma Simone de Beauvoir. Era uma autora consagrada? Não. O livro era o primeiro romance de uma atriz global.

O jornalista que, em sua coluna, teceu loas ao livro, passaria despercebido, se não tivesse o mesmo sobrenome do editor de literatura da famigerada editora responsável pela publicação da atriz. O fim da picada. Política, sempre a velha política. Outra desonestidade havia me afastado dos livros de ficção – a figura do preparador de texto. Estou tratando aqui apenas dos livros de ficção. Metade dos livros tinha a mesma preparadora de texto. Metade? Perguntará alardeado o leitor. Responderei consternado, sim. Metade. O meu horror não parou por aí. Um editor me convidou para um leilão de originais. Queria a minha companhia porque a sua assistente estava fora. Ele queria comprar um autor. Tinha reservado uma boa quantia em dinheiro. No local do leilão, contrariando as regras, pediu para vê-lo – o original – de perto. A decepção com o que viu não o havia feito recuar do propósito. Ele, o editor, com naturalidade, disse Está um merda o primeiro capítulo, mas pagarei para consertá-lo depois que comprá-lo. Diante do meu espanto, afirma É o mercado, meu caro.

A explanação segura de quem tinha conquistado prestígio, prêmios e status com a atuação no mercado editorial não me deixaram dúvidas sobre a verdade (ela existe?). Farpas. Estou tão Eça de Queirós. Enfim, o que li, de fato, nesse ano? Muitas coisas.

Sr. Bergier e outras histórias, de Anderson Fonseca, resenhado para esse espaço.

O que eu disse ao general, de Anderson Fonseca. Um genial livro de fábulas. Será lançado pela editora Oitava Rima.

Mudança de Rota, de Jardel Amaral Junior. Narrador incrivelmente habilidoso. O livro trata do seqüestro de uma aeronave.

Além dos livros de prosa, naveguei pelos livros de poesia:

Corpo de Festim, de Alexandre Guarnieri;

Cama de Gato, de André Ferraz.

Todos novos autores. Excetuando Anderson Fonseca, todos os demais precisam de editora.

Um leitor dirá não vale, onde vou encontrar o livro desses caras? Verdade. Esse foi o jeito que encontrei de ler um livro sem maquiadora, quer dizer, preparadora. Os outros livros, comprados na banca do Olivar, em frente ao metrô da Carioca, no Rio de Janeiro, podem ser encontrados em livrarias, creio.

Sobre Roderer, Guillermo Martinez, editora Planeta. O livro narra a trajetória de dois jovens: a educação de suas sensibilidades e as diferentes reações de cada um deles diante do mundo. Um livro honesto, excelente.

Olho sem Vontade, Marcílio Teixeira Marinho, Civilização Brasileira. Espetacular. A única comparação possível dessa novela é com Carlos Heitor Cony, autor de Informação ao Crucificado. Uma novelinha sobre a sordidez.

Muitos, com visível enfado, ao final da leitura, terão a impressão de perda de tempo com as minhas indicações tão ultrapassadas. Cadê o ganhador do Jabuti? Do Portugal Telecom? Eu, realmente, não sei. Sei que não estão aqui. Você pode encontrá-los nas principais livrarias, nos cadernos de cultura e nas inúmeras oficinas literárias do país. Eu quero saber quem é Marcílio Teixeira Marinho, Antônio Olavo Pereira e outros. Aliás, este último, por ocasião da reedição de Marcoré, foi lembrado em artigo no Prosa & Verso. Eu li todos os livros do autor: Fio de Prumo, Contramão – novelinha que merecia uma reedição. Sou um conservador. Quero que os escritores escrevam seus próprios livros. Meu amigo editor me olha de lado e diz Você está de sacanagem, né?

P.s: Se os livros citados, exceto os inéditos, não estiverem nas livrarias, procurem na Estante Virtual. Lá os livros reencarnam.

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SUELI CAVENDISHI

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Soon I will

Felicidade Conjugal, de Tólstoi, foi um dos melhores. O que faz um grande escritor, ou melhor, um gênio, das filigranas de uma relação entre dois seres do sexo oposto. O que é quase nada vira tudo.
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Gosto muito do Formas do Nada, do Paulo Henriques Britto. Belíssimo livro de poemas .
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Estou gostando, porque ainda estou lendo – tem coisa demais na fila – de A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgar Braga, de Beatriz Helena Ramos Amaral, excelente poeta que com seu texto irretocável torna a leitura de temas difíceis extremamente prazerosa.
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Frestas, de Luiz Costa Lima, que estou apenas começando. Mas a acuidade e a inteligência que tornam os seus livros sempre instigantes já se sente desde as primeiras linhas.
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Minima Lírica, também do Paulo Henriques Britto, reedição. Ler agora permite observar o desenvolvimento do seu percurso.
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Our Secret Discipline – Yeats and Lyric Form. Difícil falar da excelência desse livro de Helen Vendler sobre Yeats.

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FABRÍCIO CORSALETTI

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um útero é do tamanho de um punho
, de angélica freitas.
“rilke shake”, o primeiro livro da autora, já era ótimo. mas esse é ainda melhor. tem força, técnica, humor, lirismo. além disso, mostra a condição da mulher contemporânea de maneira dura – e muito convincente. um soco (um útero, um punho) na cara do leitor.
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formas do nada, de paulo henriques britto.
talvez o auge de uma poesia apurada ao longo de décadas. pode parecer excessivamente metalinguístico, mas para mim é sobretudo um livro trágico.
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sentimental, de eucanaã ferraz.
tão bonito quanto outros títulos de eucanaã, mas com uma vantagem: o poema “el laberinto de la soledad”. maravilhoso. antológico.
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AMADOR RIBEIRO NETO

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Relação dos cinco livros mais expressivos de poesia, lidos em 2013.

1. Na lata, de Frederico Barbosa. São Paulo: Editora Iluminuras (2013). Uma poesia concisa, direta e de imagens marcantes que dialoga com vários códigos, dos verbais aos não-verbais, e pontuada por um ritmo sempre envolvente. Estas são algumas das marcas deste poeta que é proprietário de uma dicção singular na cena da poesia contemporânea brasileira.  O presente volume reúne poemas de livros anteriores do poeta, organizados tematicamente, além de outros inéditos. Considero este o grande livro lançamento nos últimos anos. Indubitavelmente Frederico Barbosa é o mais expressivo nome surgido na nossa poesia desde a década de 90.

2. Raymundo Curupyra, o caypora, de Glauco Mattoso. São Paulo: Editora Tordesilhas (2012). Os 200 sonetos satíricos e fesceninos desta obra perfazem uma narrativa que podemos considerar como exemplar do épico moderno. Glauco cria um anti-herói que tem sua saga relatada juntamente com a dos outros moradores da parte baixa da grande cidade. Tudo aqui é pretexto para o poeta desmascarar o “politicamente correto” deitando a irrisão sobre tudo o mais. Ri-se com Raymundo, num risinho entre cínico e autocorrosivo. Marcas já conhecidas do velho Glauco. Mas, neste livro, ele nos reserva uma surpresa adicional. Quem o ler, vai se deliciar.

3. A voz do ventríloquo, de Ademir Assunção. S. Paulo: Editora Edith (2012). O tempo, matéria viva e contumaz desta poesia, grita e cria ritos urbanos na busca pela urgência dos sentidos, das sensações, dos significados da vida. Numa linguagem despojada, que sabe valorizar o coloquial sem vulgarizá-lo, nem metê-lo na fria da erudição lustrosa, o poético se apresenta como consequência natural de um trabalho que, de tão bem urdido, não deixa as marcas de sua const rutividade. Um livro pra ser lido como um ácido.

4. A cicatriz de Marilyn Monroe, de Contador Borges. S. Paulo: Iluminuras (2012). A poesia neobarroca encontra neste livro uma das suas mais felizes realizações brasileiras. E considere-se que temos excelentes poetas neobarrocos, como Josely Vianna Baptista e Horácio Costa –  sem falarmos do maior de todos, Haroldo de Campos. Neste livro, Contador Borges toma a poesia na zona limítrofe com a prosa e insere-a na cena limítrofe do teatro com o cinema. O resultado é um livro de grande rigor poético e vasta experimentação de linguagem.

5. Corpos em cena, de Susanna Busato. S. Paulo: Ed. Patuá (2013). Os poemas são, em grande parte, manchas gráficas (ou pílulas de poemas) versando sobre o corpo e seu lugar na cena urbana. Dividido em cinco partes, de acordo com acordes musicais que tangem o pornográfico/erótico, a voz plural do eu-lírico diz o feminino de cada um – incluindo aí o do amado. Uma poesia feita nas tramas e transas da linguagem num lúdico corpo a corpo com a inteligência e a sensibilidad e do leitor. Um livro que se lê de um pulso. E depois volta-se para que seja lido/sorvido segundo a segundo.

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JORGE TUFIC

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Sem falsa modéstia:

Guerra e Paz,

Platero y yo e (como leitor)

O Sonho de Tibério (meu).

 

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LUIS TURIBA


Ximerix
, de Zuca Sardan

Destaco como lançamento do ano o “Ximerix” do poeta Zuca Sardan, que aconteceu na FLIP, em Parati. Zuca está no cenário poético brasileiro faz tempo. Apareceu na antologia 26 Poetas Hoje de Heloísa Buarque e participou ativamente da aventura Bric-a-Brac, sempre ao lado do poeta Francisco Alvim. É uma poesia do humor, quase circense, repleta de personagens alucinados e alucinógenos. Ele mora há anos na Alemanha e sua passagem pelo Brasil nos deu muitas alegrias. Autografou seu Ximerix em Parati, no Rio, em Brasília e São Paulo.

Segundo seu confrade Francisco Alvim, “o livro constitui-se ademais numa hilária sátira de estilos. O leitor com bom ouvido há de reconhecer nele desde os timbres da fábula clássica, da prosa libertina e dissoluta do século XVIII francês, do lirismo do alto e baixo romantismo, até o das figurações mais e menos herméticas do simbolismo, seguidas das marmóreas do parnasianismo, tudo naturalmente revirado na técnica bustrofédons.”
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Toda Poesia, de Paulo Leminski, Cia das Letras.

Livro fundamental para quem trabalha na e com a Poesia. Livro balanço total. Mesmo os que discordam hão de concordar: Paulo Leminski influenciou (para o bem e para o mal) toda uma geração de poetas nascida depois dos anos 90 do século passado.

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Não poderia deixar de citar o livro de poesia que me tomou grande parte do ano de 2013 e acaba de sair pela 7Letras do Rio: QTAIS. Parafraseando Oswald: a massa ainda irá saborear os finos quitutes dos meus QTAIS.

QTAIS é um livro de balanço: o poeta para, garimpa seus Bric-a-Bracs e faz sua oferenda linguagens. Um caminho de 30 anos foi percorrido a partir de Brasília e, agora, já aposentado, de volta ao seu querido Rio de Janeiro, lança o seu primeiro livro carioca.

Coube a professora de Poesia da Universidade de Brasília (UnB), Sylvia Cyntrão, jogar luz na leitura de QTAIS. Escreveu Sylvia:

Trata-se de uma “poética do trânsito, da confluência, da divergência. Do encanto.” E prossegue: “Sobre este poeta, a celebrada Revista Bric-a-Brac, da qual foi criador e editor, diz tudo – um escritor que dá voz, que amplifica as vozes, que transforma o que ouve em ressonância. Pós-concretista-modernista-pós: na disputa pela verdade poética, no Brasil, Turiba não entrou – para nossa sorte de leitores. Autônomo, o inserimos na geração de 1980, de 1990, e nas que sucedem no século XXI. Preferiu ir registrando a magia dos deslizamentos do tempo: assim fazem os grandes. Alquimista confesso (“sigo alquimista/construindo amálgamas…”) integra de diversificadas formas a poesia que espelha 500 anos de Brasil. Na expressão da sensibilidade, da cidadania, das lutas pelas causas ambientais e das batalhas amorosas íntimas, Turiba compartilha olhares e lugares na representação de seu tempo. Nosso também.

O poema “Filosofia da flanelinha” explica melhor este poeta, mais do que mil palavras teóricas o fariam:

“fecha e

deixa solto”

 

 




Comentários (1 comentário)

  1. Elba T. Rocha, Se valeu? Claro que valeu! A gente volta sempre cheia de idéias, traz livros lindos na bagagem um monte de cartões de visitas de pessoas interessantes e os olhos coloridos.
    1 janeiro, 2014 as 1:51

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