Hiperconexões: realidade expandida


…..[ primeira antologia de poemas sobre o pós-humano da literatura brasileira ]
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Poetas convidados: Ademir Assunção, Amarildo Anzolin, Ana Peluso, Andréa Catrópa, Braulio Tavares, Claudio Brites, Daniel Lopes, Edson Cruz, Elisa Andrade Buzzo, Fabrício Marques, Fausto Fawcett, Gerusa Leal, Ivan Hegen, Jane Sprenger Bodnar, Luci Collin, Luiz Bras, Marcelo Finholdt, Márcia Barbieri, Marco A. de Araújo Bueno, Mariana Teixeira, Marilia Kubota, Marize Castro, Ninil Gonçalves, Patricia Chmielewski, Renato Rezende, Rodrigo Garcia Lopes, Ronaldo Bressane, Sérgio Alcides, Thiago Sá, Valério Oliveira e Victor Del Franco.

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[ poemas ]

Um esboço de corpo para uma época de excessos | O velho Drácula na caldeira do dragão: Ademir Assunção

No futuro, os poemas: Amarildo Anzolin

O mundo em codes & versions: Ana Peluso

danúbio azul | perfil: Andréa Catrópa

A coisa: Braulio Tavares

Máquina de afetos | Síndrome de Elefante Acorrentado: Claudio Brites

Vestais: Daniel Lopes

Oroboro: Edson Cruz

Não será talvez amor: Elisa Andrade Buzzo

Pós-você: Fabrício Marques

Pós-humanismo ou Carne vira máquina, máquina vira carne: Fausto Fawcett

WWWW: Gerusa Leal

Logout: Ivan Hegen

navegação: Jane Sprenger Bodnar

Tela: Luci Collin

Desobediência civil: Luiz Bras

Homo sapiens – in memoriam: Marcelo Finholdt

O desencaixe do sol: Márcia Barbieri

Ao leitor pós-hipócrita: Marco A. de Araújo Bueno

Eu | Perfeito: Mariana Teixeira

pós-h: Marilia Kubota

Ode a Aurora: Marize Castro

Australopithecus digital: Ninil Gonçalves

Epitáfio: Patricia Chmielewski

HD 189733b: Renato Rezende

Uma formiga: Rodrigo Garcia Lopes

O excesso e o silício | Serpentário: Ronaldo Bressane

Mau contato da musa: Sérgio Alcides

Ataque: Thiago Sá

Sobre o invisível | Tenho sonhado: Valério Oliveira

Falha no sistema | www.sinapses.com: Victor Del Franco

 

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[ apresentação ]

Será mesmo possível uma arte pós-humana, ou um mundo pós-utópico?

A velocidade das transformações tecnológicas e suas implicações no corpo, no comportamento e na consciência projetam um cenário vertiginoso e incerto, desafio que não se esgota na reflexão acadêmica, sempre zelosa de novos conceitos. A realidade se desmancha no ar e se reconfigura como virtualidade e espetáculo. Em que software ou aplicativo o sujeito encontrará sua identidade perdida?

Em Hiperconexões: realidade expandida, trinta e um poetas de estilos variados toparam a provocação de pensar e escrever sobre o devir, tateando o provisório e flertando com o precário, numa aposta quase insana, ou insólita, de que a humanidade renovada se insinua entre os escombros da civilização formatada pelos códigos do instinto predatório, que ao mesmo tempo soube, com alguma crítica e autocrítica, tocar a beleza.

Poetry in progress, os textos aqui reunidos se deixaram impregnar por questões inquietantes e urgentes, como robótica, nanotecnologia, redes sociais, neurociência, exoesqueletos, avatares e clones, como se eles próprios resultassem de uma experiência no futuro, viagem poética no tempo e no espaço, mergulho visionário no cotidiano em permanente mutação.

Palavra e corpo se configuram como artefatos de novas performances, para além da página em branco, e transcendem os padrões cartesianos aos quais nos habituamos. As portas da percepção se abrem para horizontes inauditos, ali onde o poeta ainda insiste em brincar com sinapses, metáforas, conexões.

Reynaldo Damazio

 

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[ apresentação do organizador ]

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Work in progress?

 

Menos vinte e um

Qualquer contagem regressiva é preocupante. Ainda mais quando não dá pra saber se é a contagem regressiva de uma abominável bomba nuclear ou do lançamento de uma magnífica sonda espacial.

Menos vinte

Estamos vivendo um momento sem paralelo na história de nossa longa evolução. Depois de humanizar praticamente todo o planeta, o ser humano está bem perto de começar a modificar estruturalmente o próprio ser humano.

Menos dezenove

A primeira grande revolução tecnológica aconteceu ainda na pré-história, com a invenção da linguagem.

Menos dezoito

A segunda, com a invenção da escrita. Nossa espécie nunca mais foi a mesma, sua realidade expandiu-se.

Menos dezessete

Com a invenção da escrita, nosso poder de memorização foi multiplicado infinitamente. A memória humana, até então restrita aos genes e ao cérebro, projetou-se pra fora do corpo e foi parar também nas placas de argila, nos pergaminhos, nos livros. Houve uma explosão de criatividade em todas as áreas do conhecimento.

Menos dezesseis

A terceira revolução tecnológica, batizada de revolução pós-humana, promete um salto evolutivo tão radical e inquietante quanto o provocado pelas duas revoluções anteriores.

Menos quinze

Em laboratórios do mundo todo a tecnociência e a biotecnologia estão manipulando, para o bem e para o mal, os múltiplos níveis possíveis de nossa contraditória humanidade.

Menos catorze

Os primeiros ciborgues – indivíduos com próteses eletrônicas internas ou externas – já circulam entre nós há pelo menos duas décadas. Interfaces cérebro-máquina-cérebro já permitem que tetraplégicos conectados a um exoesqueleto voltem a se movimentar.

Menos treze

Drogas da longevidade e da inteligência estão aumentando a expectativa de vida das pessoas e aprimorando sua capacidade cognitiva. Espera-se que as próximas gerações vivam saudavelmente duzentos anos ou mais.

Menos doze

Implantes oculares e auditivos já permitem que cegos enxerguem e surdos escutem. Em breve eles enxergarão e escutarão muito melhor do que as pessoas com visão e audição normais.

Menos onze

Implantes neurais também estão transformando a web e o celular numa extensão de nossa mente. Conversar com outras pessoas em breve será uma forma tecnológica de telepatia.

Menos dez

Nano-robôs estão sendo desenvolvidos para patrulhar nossa corrente sangüínea em busca de possíveis doenças. Essas nanomáquinas serão capazes, por exemplo, de exterminar células cancerígenas bem antes da formação de um tumor.

Menos nove

Até o final do século, a engenharia genética promete dar à luz bebês mais saudáveis e resistentes, futuros adultos livres de doenças e deficiências herdadas. Mas essa manipulação do código da vida poderá criar diferentes castas genéticas, umas mais aperfeiçoadas do que as outras, fato que provocará um novo capítulo na velha luta de classes.

Menos oito

O entrelaçamento de esferas antes fisicamente separadas – o natural e o artificial, o corpo e a máquina – traz inéditas implicações filosóficas e antropológicas.

Menos sete

Durante milênios as pessoas usaram o corpo como suporte cultural, decorando-o com tatuagens, pinturas, brincos, pulseiras, anéis, alfinetes, piercings etc.

Menos seis

Em 1958 o primeiro marca-passo invadiu o corpo de um paciente com um sério problema cardíaco. Hoje os implantes já tomaram a última fortaleza de nossa humanidade: o cérebro.

Menos cinco

Complexos pares dialéticos estão surgindo no horizonte: robótica e livre-arbítrio, clonagem humana e bioética, inteligência artificial e autoconsciência…

Menos quatro

A grande questão é: quando o novíssimo Homo faber terminar de modificar completamente o antigo Homo sapiens, que civilização emergirá dessa estranha metamorfose?

Menos três

Uma civilização esquizofrênica e fora de controle, tiranizada pelo determinismo tecnológico? Ou uma civilização mais equilibrada e pacífica, capaz de abolir a estratificação social?

Menos dois

Cientistas, juristas e filósofos – uns mais pessimistas, outros mais otimistas – há décadas vêm debatendo furiosamente o tema do pós-humano. Ficcionistas, cineastas e artistas plásticos – pessimistas e otimistas – também já abraçaram o tema, esmiuçando-o de muitas maneiras. Só estavam faltando os poetas.

Menos um

Aqui estão eles. Trinta e um poetas brasileiros encararam o desafio e gravaram em versos terríveis, delirantes, irônicos, sublimes, imagéticos, escatológicos, desmistificadores, sub-reptícios ou aflitivos a resposta possível à pergunta: de que maneira a tecnociência e a biotecnologia estão modificando fisicamente, para o bem e para o mal, o ser humano?

Zero

Salvo engano, Hiperconexões: realidade expandida é a primeira antologia consistente de poemas sobre o pós-humano da literatura brasileira, talvez da literatura mundial.

Um

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Luiz Bras

 

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……[ Veja hotsite sobre livro e temática: http://hiperconexoes.tumblr.com/ ]

 

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