AUTORES SE MANIFESTAM – I


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LUIS TURIBA

OU A GENTE SE RAONI

OU A GENTE SE STING

 

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HORACIO COSTA

Já não era sem tempo.

Ainda espero ver uma baba azul escorrendo putridamente da boca do José Sarney em agonia, como aquela de Emma Bovary. Serve como imagem? para o fim dessa classe política crapulosa.

Sumam de seus cargos e que sejam perseguidos pela justiça.

Tratemos de reconstruir o País depois de tanta mentira.

A corrupção deve ser crime hediondo. Assim como a homofobia e outras formas de abuso do indivíduo.

A favor da felicidade que queremos e poderemos experimentar neste país continente.

 

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THIAGO DE MELLO

vamos ver o que vai mudar

Aprendi com a história que só com a participação popular, só quando o povo vai para as ruas protestar, condenar, clamar com a sua voz  poderosa, é que se consegue a mudança do que é preciso mudar na vida de um país, antes que a vida apodreça .

Foi o povo nas ruas  que derrubou a governo limitar. Milhões de brasileiros na Praça da Sé em São Paulo, outros milhões na Candelária no Rio, clamando por eleições Diretas, enquanto nos porões do Planalto se conspirava a eleição de um novo general pela máquina de reprodução de ditadores montada no Congresso. O povo não desanimou. Seguiu nas ruas, clamando pela democracia.

Cinquenta anos depois, o povo brasileiro  volta às ruas, para lutar, dono da certeza de que a sua causa é justa e  vai triunfar. Começou nas maiores cidades, Rio e São Paulo e, em poucos dias,  foi se alastrando pelo país inteiro. Sem lideranças, sem comando de partidos.

O povo tem voz própria, sabe o instante em que só o poder da sua voz erguida em multidão acorda a indiferença, sacode os que  sofrem calados.

O grito que primeiro se elevou contra o aumento das passagens de ônibus aos poucos foi se transformando, ao impulso das consciências em ação, num brado pelas mudanças de tudo que é preciso mudar na vida do país injusto, devorado pelo gosto da cobiça. Quando viram que o clamor crescia pela nação,  os donos do poder se agarraram temerosos à questão do aumento das passagens, reivindicação que abria caminho para outras mais altas e fundamentais. Cuidaram que calariam o clamor e cederam, cancelaram o aumento.

Os governantes se enganam. O  povo demonstrou que a sua voz erguera voo e amanheceu nas ruas da pátria,  avisando que a injustiça, o descaso, a perda da ética (enfermidade contagiosa) e o despudor chegaram a um ponto insustentável, porque fere, mais do que a índole generosa do povo, a própria dignidade da vida. Mudança certa e inevitável (consequência da vontade do povo, expressa em brados corajosos, há de se dar, inevitavelmente, na vida política do país. Os governantes, o Congresso, que tenham sabedoria e cuidados, e cresça no respeito, me deixem dizer no amor ao povo que os elegeu, que nas suas promessas confiou e, desiludidos, não se conformam. A democracia não pode prosseguir com o seu jeito autoritário.

Em Manaus só ontem, quinta 23, foi sair em passeata. Chegou a sua vez\ e sua hora de trabalhar pela mudança, Arthur Virgilio, antes de todos, já anulara o aumento das passagens. Só quero ver se vamos clamar contra a vergonhosa caixa dois dos governantes, contra o sonho escuro das crianças que dormem com fome e que nenhuma cabocla grávida dê a luz\ o seu filho em porta de hospital por falta de vagas e médicos.

 

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CLAUDIO WILLER

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Futebol e Soberania

Sistematicamente, a FIFA vem subordinando o Brasil a seus estatutos e protocolos:

1. Enxugaram o Hino Nacional Brasileiro: só podia a primeira metade – jogadores e público prosseguiram “a capella”;

2. Regularam cartazes nos estádios, assim promovendo censura;

3. Estabeleceram horários dos nossos jogos às 16 h em dia útil, conveniente para o público europeu e respectivos anunciantes, mas não para nós;

4. Chantageiam, ameaçam suspender essa Copa se manifestações prosseguirem: querem controle do que se passa nas ruas, fora dos estádios.

Deveriam ser declarados “persona non grata”; devidamente defenestrados, mandados de volta.

Em momento algum reconhecem a contribuição brasileira, e isso desde a era Pelé & Garrincha, para que o futebol interessasse a tanta gente e se tornasse, mundialmente, esse enorme negócio – note-se, negócio para eles, a conta do prejuízo será paga por nós.

Relação do governo brasileiro e da entidade local com Blatter & cia é inteiramente assimétrica, subserviente.

Governantes brasileiros deveriam ter avaliado com quem estavam mexendo, antes de aceitarem a duvidosa negociata. Tornaram-se reféns de dirigentes de entidades e construtoras de estádios e outras obras, como de praxe inicialmente sub-orçadas e subseqüentemente superfaturadas. Desde aquela acintosa propaganda da Coca-Cola, deveriam ter entrado em campo, mas para defender o Brasil, não para submeter-se às regras do jogo deles.

A qualidade de alguns dos espetáculos – especialmente Japão vs Itália e momentos da exibição brasileira – não compensa nem justifica tais desatinos e insultos.

Ameaçaram, logo em seguida desmentem, logo voltarão a pressionar:

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/06/21/fifa-e-col-negam-discussao-sobre-suspensao-da-copa-das-confederacoes.htm

Alguém terá a coragem de enquadrá-los? De dar um basta? Ao menos, na esfera simbólica, de fazer cessarem absurdos como esse da execução de meio hino?

 

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IVAN ANTUNES

Dor no estômago observar pessoas ditas “apartidárias” saírem às ruas quebrando bandeiras e faixas de movimentos sociais e partidos políticos. Dor no estômago ver a mídia golpista, rede Globo, rede Record, SBT, Band e outras mais alimentando o verdeamarelismo na população, o branco na janela e as luzes pisca-piscando na Paulista. Dor no estômago ver manifestantes gritando contra tudo e contra todos e lançando chavões como “saí do facebook… viva o Braséel, uhu”. Apropriação de um movimento legítimo por passagem, prestes a virar golpe de forças estranhas e coloridas. Estejamos atentos. É necessário posicionamento. Criação de uma frente de luta e poesia.  Não é possível quebrar o Brasil, quebrar partidos e empurrar tudo isso e mais um pouco para o abismo. É necessário programação e não agir elouquecidamente como a mídia está mandando todos fazerem, para o colapso. Partidos, sim. A revolução não será televisionada; o que poderá ser televisionado e já começou: golpe nacionalista em fluxo.

Resistir!

 

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CLAUDIO DANIEL

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A Batalha das Ruas

O que está acontecendo hoje nas ruas?

Um novo ator social surge em cena: o cidadão comum.

Ele não pertence a movimentos sociais organizados, nem a partidos tradicionais de esquerda, sindicatos ou a entidades estudantis.

Ele não tem uma identidade política clara – não é liberal, socialista, comunista, mas desconfia de todos os partidos, de todos os governos e instituições.

Ele não sabe exatamente o que deseja – tem um sentimento vago de revolta em relação a “tudo” – corrupção, tarifas altas do transporte, impostos, código penal, PEC 37, entre outras coisas – mas não tem clareza do seu objetivo: fazer uma revolução? Para colocar o quê no lugar do atual regime democrático representativo?

O cidadão comum acredita naquilo que assiste na televisão e lê nos jornais, participa das redes sociais, mas não consegue construir com clareza um discurso ideológico, uma visão geral do mundo.

O cidadão comum sente-se oprimido pelos fatos e não encontra nenhuma instituição que o represente.

O cidadão comum não reconhece as mudanças que aconteceram nos últimos dez anos no Brasil – saída de 40 milhões de pessoas da situação de miséria, a quase erradicação da fome no país, a política de estabilidade econômica e baixo índice de desemprego, o aumento do consumo nas classes populares, a inclusão social de afrodescendentes, o investimento maciço na educação, entre outras conquistas – porque não enxerga uma mudança radical no país.

O cidadão comum aceita o discurso ideológico da grande mídia e dos grupos conservadores.

O cidadão comum, antes desorganizado, começa a se organizar. Ele não tem ideologia. Não tem partido. Não tem uma alternativa de poder.

Quem está atuando nos bastidores, porém – e já saiu às ruas, sem máscaras – tem ideologia, tem partido e tem alternativa de poder: a extrema-direita, representada por entidades como o Instituto Millenium, Revoltados On Line, entidades de oficiais da reserva e outros setores que representam o que há de mais reacionário na sociedade brasileira.

São estes setores que usam a frustração popular, o ressentimento, a insatisfação com as instituições, para chegar ao seu objetivo – derrubar o governo democrático de Dilma Rousseff e implantar em seu lugar um regime análogo ao de 1964, que coloque os partidos políticos na ilegalidade (“sem partido, sem partido”, gritam nas ruas), as centrais sindicais – 20 sindicalistas da CUT foram agredidos hoje no Rio de Janeiro, militantes petistas foram hostilizados e suas bandeiras, rasgadas – e todas as demais instituições democráticas dos trabalhadores e da juventude brasileira.

Por que não fechar o Congresso?

Afinal, lá estão Renan, Sarney, Collor, Maluf e tantos outros corruptos!

Por que não abolir as eleições?

Afinal, Lula pode se candidatar de novo, e ainda Dilma, Suplicy, Haddad e outros petistas ou comunistas.

Para quê auxílio-detenção?

Preso tem que morrer! Menor de idade? É bandido, tem de morrer também!

Parada gay?

Nem pensar! Homossexualismo é doença. O PT quer ensinar as crianças nas escolas a serem gays e lésbicas! Eles querem a ditadura gay!

Exagero?

Basta sair às ruas e ouvir o que o homem comum diz.

O homem comum é fascista?

Ele não sabe o que é fascismo. Acha que direita e esquerda são a mesma coisa. Ele não quer pagar impostos, mas o governo – ele pensa – deve oferecer transporte de graça, saúde e educação para todos, já. Como? Por milagre. Porque – acredita o homem comum – um presidente pode fazer milagres.

Só há um porém: não há milagres.

Quando o homem comum descobrir isso, ele não poderá mais reclamar de NADA.

NÃO PODERÁ RECLAMAR DE NADA.

Porque quem reclama é petista ou comunista – e para estes há prisão, tortura, exílio ou assassinato.

Exagero?

A culpa, reconheço, não é do cidadão comum.

A culpa é do PT.

Sim, a culpa é toda do PT, porque esse partido acreditou sinceramente no respeito às instituições democráticas, na legalidade, no respeito à ordem, à propriedade privada, à liberdade de imprensa-empresa.

O PT acreditou que seria possível melhorar a qualidade de vida de milhões de brasileiros sem fazer a revolução socialista.

Realmente, em dez anos de governos progressistas, houve imensas conquistas, muito mais do que nos últimos 50 anos da política brasileira.

Mas ninguém contou isso ao cidadão comum, porque o PT não quis implementar a Lei de Mídia, permitiu que a imprensa burguesa o atacasse diariamente, sem fazer absolutamente nada.

O PT permitiu que o Poder Judiciário permanecesse nas mãos de oligarquias retrógradas.

O PT não politizou a população, ao contrário: engessou o movimento sindical e popular, que era o seu único e verdadeiro amigo.

O PT teve medo e perdeu a esperança.

O PT poderia fazer do Brasil um grande país socialista, que mudasse os rumos do mundo.

Mas teve medo.

Teve medo.

TEVE MEDO.

Agora sim, o PT tem razão para sentir medo, porque milhares de pessoas podem invadir o Congresso Nacional ou o Palácio do Planalto.

A menos que aconteça alguma coisa.

A menos que o PT vença o medo.

A menos que o PT assuma, de uma vez por todas, o seu papel histórico, ao lado dos comunistas e outras forças populares e revolucionárias.

Haverá tempo ainda?

 

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ADEMIR DEMARCHI

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NOTAS SOBRE O PRESENTE -
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Por baixo do romantismo envernizante e do encantamento bobo de muita gente está havendo muita discussão e isso certamente terá consequências contra o recente crescimento conservador, contra o modo de governar em vigor. Depois de um período de debates fracos, de crescimento de setores conservadores, como os evangélicos ocupando cargos públicos e impondo uma pauta religiosa a um Estado laico, nada mais animador que uma lufada de protestos trazendo a juventude às ruas. Mais que as bandeiras claras de discussão do Passe Livre, os protestos evidenciam insatisfação com os políticos e a alta corrupção existente na adminstração pública que impede que a vida das pessoas melhore. Todo esse movimento aponta agora para a necessidade de uma efetiva reforma política que melhore a representatividade e possibilite maior controle sobre os eleitos, de modo que haja maior proximidade entre eleitor e eleito e governo.

ACEFALIA GERA DELÍRIOS

Há um bando de noias delirando que há perigo de golpe. Ora, os militares estão vacinadinhos e quietos nos quartéis, não há nenhuma liderança do que se chame de direita aspirando golpe – porque não há clima para isso – conquistamos um espaço democrático com várias eleições já feitas e não há sustentação alguma para um golpe. O que há são vândalos querendo invadir e depredar o palácio do governo, sem proposta alguma para por no lugar. Com a fragmentação dos partidos de esquerda, com a chegada do PT ao poder, enfraquecendo sua ação na massa como era seu forte, em privilegio agora de governar, a massa está acéfala. Isso se amplia com o crescimento do movimento autonomista (anarquista) (que é ideológico também) e que se vale dos novos meios de comunicação para ampliar a mobilização. Os partidos de esquerda estão perdidos, estão na mesma situação dos anos 80 da redemocratização, até nos discursos. Os tempos são outros. E eles não debatem à luz desse tempo, mas à luz das velhas cartilhas.
Insisto: o que há é um monte de vândalos fazendo o que querem porque a polícia não sabe o que fazer, os governantes estão idiotizados tanto quanto estiveram o tempo todo em suas zonas de conforto de planilha. Quem está precisando debater o que está acontecendo são os governos e os partidos, fazer seminários, avaliações sobre o por que estão sendo recusados nos movimentos pela massa – essa é a pergunta que os partidos e militantes precisam fazer: por que? O PT pareceu ter estado a reboque do movimento, quando deveria estar lá no meio dele em vez de ficar discutindo em gabinete o que fazer, esperando uma decisão, p. ex., do Haddad. Os partidos precisam se ligar: daqui pra frente o modo de fazer política vai ser desse jeito. As lideranças que se movem hoje de forma autonomista são como aquelas que formaram o PT e outros partidos lá atrás, porém o tempo hoje é outro, as formas de mobilização são outras, as pautas são outras, e a massa maior ainda, é preciso separar o movimento do governo e o PT e os outros partidos estão confusos porque romantizam ser de massa quando estão é no governo e ficam seguindo líderes holeritizados.

O QUE SE PRODUZ

“Sustai teu sopro agora, pois uma obra esplêndida está vindo à luz
- “qual é?” pergunta o demônio
- “um ser humano se produz” – disse-lhe Wagner”.
Goethe – Fausto, II Ato, 1830

“Num mundo que é exatamente o nosso, [...] produz-se um
acontecimento que não pode ser explicado pelas leis deste mesmo
mundo familiar. [...] ou se trata de uma ilusão, [...] ou então o
acontecimento realmente ocorreu [...]. O fantástico ocorre nesta
incerteza; ao escolher uma ou outra resposta, deixa-se o fantástico
para entrar num gênero vizinho, o estranho ou o maravilhoso. O
fantástico é a hesitação experimentada por um ser que só conhece as
leis naturais, face a um acontecimento aparentemente sobrenatural”.
(TODOROV)
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RAIMUNDO CARRERO

qualquer pessoa medianamente informada sabia que a revoltava está no ar. O clima se adensou com o insulto do luxo, da corrução e da safadeza desenfreada. Entramos numa era de escárnio e do cinismo. O povo, em todos os níveis sociais, perdeu a paciência. E agora é tarde. Por favor, sem violência. Paz e alegria.

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E.M. DE MELO E CASTRO
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Agora e desde já alguns anos, a minha cidade é São Paulo e o meu ponto de observação e participação cultural é a minha casa, através dos vários canais de TV, dos Jornais e obviamente da Internet.

Gostaria de participar ativamente nas manifestações, como fiz nas marchas anti-bomba e armamento nuclear, nos anos 60 em Londres; no Maio de 68 em Paris e na Revolução dos Cravos em Lisboa, que em 1974 acabou com o regime Fascista em Portugal. Mas agora, depois destes anos todos, a minha capacidade de locomoção está muito diminuída, restando-me o meu sentido de observação crítica que há muito tempo me acompanha e me diz que algo de substancialmente novo está  acontecendo, por ser uma forte manifestação de independência das instituições políticas convencionais, o que muito me agrada!

Não há dúvida que o que tem acontecido em SP e em todo o Brasil, é verdadeiramente extraordinário, quer pela enorme quantidade de participantes, quer pelas intenções e objetivos clara e ordeiramente expressos pelos manifestantes, reclamando melhorias na qualidade da vida, através dos servições públicos de saúde, de educação e cultura, dos transportes, do tráfego automóvel, mas também denunciando a inflação crescente,  a par da  inépcia e da corrupção na política e na segurança. Tudo isto são causas meritórias tanto mais que as enormes e repetidas manifestações acontecem num país onde se têm verificado enormes avanços na melhoria econômica de grande parte da população e onde se vive presentemente em melhores condições de emprego e empreendedorismo do que nos países do sul da Europa, onde uma crise estúpida se instalou à sombra dos interesses do neoliberalismo selvagem, gerando paralisia industrial e econômica, que resulta em milhões de desempregados de todas as classes sociais.

Infelizmente estas sinceras e oportunas manifestações de protesto e reivindicações sociais que ocorrem no Brasil, têm sido infiltradas por grupos de desordeiros e ladrões organizados ( ! ) que são especialistas em causar recontros violentos e depredações em edifícios públicos e privados, sem outro objetivo visÍvel que a violência desalmada e a satisfação de instintos barbáricos, completamente desajustados à natureza pacífica da enorme maioria dos manifestantes. Mas deve ser notado que os assassinatos gratuitos que todas as noites se verificaram, ao longo de vários meses, principalmente em São Paulo e no Rio, misteriosamente deixaram de acontecer desde o início das manifestações! Cabe perguntar, porque será ? Esta pergunta, que os comentadores e os jornalistas ainda não fizeram, pelo menos publicamente, parece-me justificada porque , como dizia o poeta português Eduardo Guerra Carneiro,  ” Isto anda tudo ligado ” …Não será que alguém indesejável estará por detrás de todos esses atos violentos, criando condições de instabilidade para fins não democráticos ?

Mas não há dúvida de que algo de novo está a acontecer na democracia brasileira que é expressão de uma liberdade sincera e genuína, individual mas coletivamente expressa, que certamente, por ser original e nova, espanta e paralisa os políticos!

Além disso esta novidade possui capacidade de expansão supranacional, numa altura em que o capitalismo e o neoliberalismo  demonstram a sua burrice estrutural, por não serem capazes de resolver os problemas que criam tanto na escala nacional como na global..

 

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FERNANDA D’UMBRA

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Tenho absoluta certeza de que as pessoas que estão nas manifestações representam sim a exausta população do Brasil.

Isso que chamam de “povo brasileiro” é um bando de gente que vive neste país e está massacrado pela prisão de ventre que virou isso aqui.

O dinheiro não circula! E ele foi feito exatamente pra isso: circular.

Não botam dinheiro de imposto para circular de verdade, a coisa está para explodir.

Aí, uma classe “média” (ahã…) cheia de dívidas, doente, sem nenhum serviço decente (seja público ou privado) e vivendo um ambiente de intolerância geral, mas com acesso à internet, essa ultra potente arma de divulgação/comunicação, marcou um encontro pelo “face” e o povo brasileiro colou, como dizem os jovens. Não é uma questão de acreditar, é só abrir a janela.

E a maioria lá é filho de famílias que ganham até cinco mínimos, quase ninguém ali tem perua SUV.

É uma outra classe média, entende? Há classes médias e classes médias…

É povo o bagulho. Pode inclusive ser manobrado, porque não tem liderança.

Mas eu ainda prefiro o povo na rua sem liderança, sem porra nenhuma, do que massacrado e quietinho em casa.

Agora, se vai mudar ou ficar tudo por isso mesmo eu não consigo dizer, admito minha incapacidade em prever algo, sobretudo consequências políticas. Mas falando daqui do Bixiga, o médio-grave sociai que habito, eu afirmo: pessoal tá cansado. Mesmo.

 

Eu fui, eu vi.

 

 

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AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
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AS PESSOAS APRENDEM O QUE PODEM. NÃO QUERO ENSINAR NADA A NINGUÉM. EIS O QUE APRENDI NESTA SEMANA :

-que as redes sociais são uma cobra de duas cabeças (ou uma hidra?);

-que por serem descentralizadas, não ter uma gerência responsável, são de todo mundo, e logo, de ninguém. Se ninguém é responsável por nada, o culpado é o outro;

-que o governo e as instituições foram pegos de surpresa, fizeram concessões, esperavam um diálogo e o que ocorreu foram confrontros crescentes;

-repórteres foram agredidos e veículos de comunicação incendiados;

-que os líderes desse movimento têm certezas demais, convicções irremovíveis, e isto não é bom para a democracia;

-os ex-guerrilheiros que estão no poder optaram pelo silêncio e condescendência temerosos de serem taxados de «ditadores» – que combateram no passado;

-num certo momento pensei: como explicar essa explosão de reivindicações na hora em que o mundo olha o Brasil como um sucesso? Deduzi: subiu o nível de exigência entre nós, isso é ótimo. Queremos saúde, educação, transportes, etc. Tudo bem. Mas vivemos numa sociedade democrática, as coisas devem ser negociadas e não impostas no grito.

Detalhes : eu vivi o suicídio de Getúlio em 54, sofri 1964, 1968, vinte anos de ditadura, perdi amigos na guerrilha, vivi a ilusão cubana, vi nascer o movimento hippie na Califórnia, atravessei o Muro de Berlim, estava em Moscou em 1991 e vi o comunismo acabar na minha frente, na Praça Vermelha. Em 1992, na China, testemunhei o surgimento de um estranho capitalismo…

Enfim, vivendo e desaprendendo. Ou como diria G. Rosa – mestre.
Outro detalhe: no «Comício das diretas» estava no palanque, ali na Candelária, e tinha sido escalado para ler o poema, infelizmente atual: “Sobre a atual vergonha de ser brasileiro”.

 

DIANTE DAS BARBARIDADES, O DICIONÁRIO E A POESIA :

a) VÂNDALOS 1-Que diz respeito aos vândalos, povos bárbaros que deram nome à Andaluzia e se estabeleceram ao norte da África. 2-Selvagem, que não tem cultura. 3-que destrói despropositadamente o que não lhe pertence. NOVÍSSIMO AULETE

b) À espera dos bárbaros –
….(Konstantinos Kaváfis/trad José Paulo Paes)

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem ponto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos,
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

 

 

 

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CONTINUA….




Comentários (1 comentário)

  1. Guilherme Leon Oliveira, Ivan Antunes e Claudio Daniel, quero dizer que concordo com vocês. Devemos nesse momento nos erguer e repudiar o Fascismo. Aqueles que pedem sem violência, mas se calam quando a violência é dirigida aos militantes dos partidos de esquerda. Há pessoas infiltradas no ato para depredar e provocar, para causar instabilidade. Tudo o que vimos nos últimos tempos de Estatuto do nascituro, “Cura Gay”, a ascensão da bancada religiosa só colabora para a instauração de uma agenda conservadora. Estejamos atentos. FASCISTAS NÃO PASSARÃO
    21 junho, 2013 as 20:20

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