A Pureza da Pauta


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No dia 20 de outubro de 2017, na Casa das Rosas, eu tive o prazer de lançar meu livro de poesia, “A Pureza da Pauta”, na companhia de dois amigos, que também faziam seus lançamentos: o Rodrigo Bravo, com “A Poligonia do Haikai”, e o Matheus Steinberg Bueno, com “Ouvi!”, ambos resenhados por mim aqui na Musa Rara. “A Pureza da Pauta” é o meu sexto de livro de poemas; nele estão reunidas poesias feitas entre 2012 e 2016. Na verdade, essa seria a segunda edição do livro, pois quando fiz, em 2013, a primeira reunião dos meus poemas no volume “O Retrato do Artista enquanto Foge” – que leva o mesmo título do meu primeiro livro de poemas, de 2007 –, já estava lá a primeira versão da Pureza.

Tive vontade de escrever algumas palavras sobre esse meu novo livro. Isso não é comum, eu sei, por isso mesmo considero que, dessa vez, não faço outra resenha, mas aproveito para divagar um pouco sobre minhas concepções de literatura e meus processos criativos.

 

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Os poemas d“A Pureza da Pauta”, embora os tenha reunidos em livro em 2013, datam de anos anteriores; foram escritos, em suas primeiras versões, por volta de 2008, quando acabava uma relação muito importante na minha vida, a Camila, quem me inspirou a fazer meus primeiros poemas. Sua importância se dava porque, com Camila, eu pude manter, também pela primeira vez, uma relação amorosa e, ao mesmo tempo, motivada pelo sadomasoquismo e pela podolatria, dois dos temas principais da minha literatura. É ela quem passeia descalça na fotografia da capa, na edição original d“O Retrato do Artista enquanto Foge”, 2007; ela fez a capa; a ela são dedicados boa parte dos poemas do livro.

Não sei como isso se passa entre as outras pessoas, mas para os BDSM não é fácil começar novas relações… além dos muitos senões, em que toda relação implica, o sadomasoquismo acrescenta outros tantos. Não quero dizer com isso que somos especiais; nossa minoria, contudo, porque não é suficientemente discutida, pode gerar reações equivocadas e criar, infelizmente, barreiras intransponíveis.

Pois bem, nossa relação acabou; antes de começar outra, fiquei algum tempo sozinho. Nesse tempo, em que passei mais tempo diante da tela do computador do que me perdendo em relacionamentos, escrevi alguns poemas sobre essa espera, tematizando minhas lembranças, expectativas, todas elas paixões de poucos minutos, mas intensas, ainda mais porque poderiam se cumprir e jamais se cumpririam.

Quando mostrei para meu amigo Rodrigo Bravo os poemas em sua primeira versão, na reunião de 2013, contei primeiro essa história; depois de ler, ele me disse que, sem ela, os textos ficariam soltos, fora dos momentos em que foram feitos, perdendo, assim, boa parte desse sentido. Para resolver isso, ele me sugeriu, para explicitar a cena poética da composição dos textos, colocar o escólio: comentar, antes das partes do livro e de cada poema, as cenas em que são enunciados. Desse modo, o livro se torna um pequeno drama, ao qual os poemas estariam subordinados, embora podendo ser lidos independentemente.

 

*          *          *

 

Em sua montagem, o livro está organizado em três partes: a primeira e terceira, cada uma delas, são compostas por quinze poemas; a segunda parte, por cinco. Por que isso? A intensão inicial era fazer o livro apenas com os poemas centralizados no tema da expectativa tranquila, mencionada antes; alguns deles, entretanto, fugiam dele. Com a intensão de publicá-los, pois gostava dos poemas, pensei que poderiam dar forma a um respiro do tema principal, desviando-se, mas nem tanto, por isso a diferença quantitativa de cinco contra trinta.

Minha poesia costuma dialogar bastante com a metalinguagem literária, não por meio da citação textual de outros autores, mas por meio de menções a procedimentos literários que dialogam com os temas específicos de cada poema. Assim, quando recorro a formas antigas como madrigais ou sonetos, não se trata de esnobismo formal; a forma literária utilizada participa da significação do texto. A partir disso, escolhi, de cada parte d“A Pureza da Pauta”, alguns poemas para comentar.

 

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A Parte I é cheia de indecisões, os poemas iniciais expressam o estado de ânimo da solitude; fico divagando entre o fim da algo que já não ia muito bem, por isso mesmo, alívio, e a sala de espera entre os sins e os nãos. A moça de Campo Grande e a dançarina de flamenco existem, somos só amigos; o CD mencionado no segundo poema é o “Azul”, da Adriana Calcanhoto; tudo não passou de miragem.

Dessa Parte I, quero me deter no último poema, que é o mais longo do livro:

 

AINDA EM BRASÍLIA, DA MESA REDONDA
DO CONGRESSO DE POESIA, MEDITA SOBRE OS PÉS
DESCALÇOS QUE UMA MOÇA DA PLATEIA COLOCA
SOBRE O ASSENTO DA CADEIRA, DIANTE DE SI, EM
“IMPRESSÕES DE BRASÍLIA Nº 2 – PRELÚDIO E CORDEL”

 

(prelúdio)

olhar para a plateia e pesco; a isca?

ninguém imagina

o que cada um procura?

a mesa estabelece a cena, cenário bom de achar…

o congresso gruta – algumas…

a mesma que me delicia,

ainda há pouco, quando estava ali – mais perto,

porém mais torto,

mais de acordo com ela.

enquanto os outros falam,

invoco alguma sobra acesa nos miolos;

justo ela, agora tão sestrosa,

tinha de colocar os pés descalços

por cima dos encostos

vagos das cadeiras da frente.

fila? daí em diante

só me lembro disso, só

dela… só lembro dos pés.

estabilizar a dança…

pertenço à moça que assiste.

 

(cordel)
.

quem há de dizer? parece

dançando, como Isadora,

que com a imagem das aves

inteira se identifica.
todos os gestos da ave,

os dedos, penas, as unhas,

rentes, a linha dá forma

às asas, quando se abrem.

 

gestos das folhas, dos voos,

do voo dança da moça

distraída; saberia

ela… como saberia?

 

faz a dança sem saber

que dança – o movimento

dança vem de mim –. alcance?

aquele que atiro a ela.

 

e dela? nada? apenas

pose para descansar?

então por que? porque sim,

porque precisa da causa…

 

fera na minha memória.

.

O que está no escólio se deu na minha primeira visita a Brasília, quando fui convidado, pelo poeta e amigo Antonio Miranda, para participar de um congresso de poesia na UNB. Em um dos anfiteatros da universidade, pouco antes da mesa em que iria falar, estava sentado na plateia, quando uma moça colocou os pés descalços no encontro do assento vago a sua frente. Isso não é raro de acontecer, não configura nenhuma indecência, mas para o olhar do podótria é como se ela se mostrasse nua. Seus pés eram lindos; além disso, ela mexia com eles constantemente, como se dançasse. Se os via do banco de traz, com foco nos dedos dos pés, ao subir ao palco a fixação permanece quando o foco muda para as plantas.

Para trabalhar todo aquele desejo em minha mente, na hora de compor, pensei em fazer uma peça pequena, como se fosse música, em duas partes: (1) o prelúdio, em versos livres, mas que terminam em redondilhas maiores, como se a música procurasse a si mesma – “fila? daí em diante / só me lembro disso, só / dela… só lembro dos pés. / estabilizar a dança…/ pertenço à moça que assiste.” –; (2) o cordel, todo em redondilhas maiores, em que busco simular a dança que projetei em seus pés, mencionando, nos versos, outra dançarina, a Isadora Duncan, famosa por dançar descalça.

Esse é um dos procedimentos poéticos que mais gosto de seguir: fazer com que a forma escolhida para compor dialogue com os conteúdos do texto, participando ativamente do sentido do poema.

 

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A segunda parte do livro, como mencionei antes, é o respiro do tema principal. Ela tem início com este poema, de que gosto bastante:

 

LEMBRA-SE DO AMIGO LUÍS VENEGAS E COMPÕE
“O MONOGLOTA”, DEDICADO A ELE

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o monoglota

o monolítico

o mono motor para fazer a volta

 

monocórdio

para atormentar

mono modulado

o rádio

a frequência limitada do miocárdio

na hora de tamborilar os dedos na

caixinha de fósforo

 

fosfato?

foi-se na marola

na monomania do macaco

na pia

no vaso

no jardim onde descansa a monocotiledônea

.

O Venegas é um amigo querido, tive o prazer de editar seu primeiro livro de poesias Há saci na fome, em 2009. O Venegas é um dos poucos poetas que soube combinar três técnicas de composição bastante distintas: concretismo, poesia beat, poesia marginal. Ele segmenta o léxico, enfatizando palavras sob as palavras, como faz e. e. cummings; sua temática é próxima das reflexões de Lawrence Ferlinguetti; apesar do rebuscamento linguístico, seus versos soam despretensiosamente, como são os versos da poesia marginal brasileira dos anos 70. Certa vez, ele me disse ser poeta monoglota, “concretista de uma língua só, o português”; daí a escolha do título e do tema lexical do poema.

Em seguida, os próximos três poemas são inspirados em uma solução do Haroldo de Campos, que li em seu livro Crisantempo, de 2004. No capítulo chamado “Hegel poeta”, Haroldo, motivado pela poeticidade de alguns pensamentos do filósofo, resolveu dar forma propriamente poética a eles. Minha formação é em Linguística, sempre admirei o pensamento de Ferdinand de Saussure; em muitas passagens do seu Curso de linguística geral, há também observações bastante poéticas, principalmente quando ele procura definir as propriedades da linguagem humana. Na Pureza, eu busquei fazer poesia com três passagens do Curso; basicamente, eu fiz os poemas com as expressões de Saussure, reduzindo minhas interferências o mínimo possível. Eis uma dessas experiências:

 

AINDA PELOS MESMOS MOTIVOS,
COMPÕE “SAUSSURE POETA Nº 3″

 

o ar em contato com a capa de água
.

a superfície da água se decompõe numa série de divisões
.

de vagas
.

são essas ondulações
.

esse acoplamento do pensa­mento com a matéria fônica

.

O último poema da segunda parte tem uma história curiosa. Assistindo ao filme O estranho, de Orson Welles, 1946, gostei tanto das cenas com os relógios, que resolvi fazer um poema sobre as minhas impressões. O poema seria uma balada, alternando versos de 10 com versos de 6 sílabas, mas não passei da primeira estrofe. Quando fui organizar o livro, me lembrei da estrofe inacabada e achei que ela seria um bom poema final nessa segunda seção, pois nela eu tematizava o tempo e já seria hora de voltar ao tempo de minha busca, interrompida por alguns momentos. O poema é este:

 

PENSA EM RETOMAR SUA BUSCA QUANDO,
DIANTE DO RELÓGIO, SE DÁ CONTA DO TEMPO

.

cuco? ainda agora admirava

a torre, recorte de uma medida

de tempo, temperatura propícia

para começar. alvo?

defina imaginação ativa…

pensava numa praça, era noite,

o galo era memória de antes.

 

*          *          *

 

A terceira parte da Pureza da pauta é a minha seção preferida. Nela os poemas são maiores, compostos com desenvoltura; parece que quaisquer hesitações literárias da primeira parte estão melhor resolvidas. Os poemas não foram necessariamente compostos depois; quando fui colocar ordem no livro, eles terminaram dispostos assim, da “fera na minha memória” para as “musas amiúde”. Para ilustra isso, vou comparar “Lembranças de Campos Grande nº 4”, pertencente à terceira parte, com as “Lembranças nº 3”, da primeira.

 

A AMIGA ESTÁ NOVAMENTE EM “LEMBRANÇAS DE
CAMPO GRANDE – MATO GROSSO DO SUL Nº 3″
.

o que te espera no Brasil, além da chuva?
.

a cuca

a onça

um saci?
.

os crocodilos?
.

a modinha da Bachiana número um

para orquestra de violoncelo…
.

uma mocinha miúda que anda de motocicleta

 

Essa série de quatro poemas é dedicada a uma amiga, que conheci quando dei aulas de semiótica na pós-graduação da UFMS, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A poesia é concisa, as referências à amiga são tímidas e dispersas, diferentes da prolixidade do próximo poema da série:

 

VOLTANDO DE SUAS VIAGENS A MATO GROSSO DO SUL,
LEMBRA-SE NOVAMENTE DA AMIGA JUCÉLIA E, AO
LER O POEMA “AO REDOR DO QUAL”,
DE JUAN GELMAN, COMPÕE “LEMBRANÇAS DE
CAMPO GRANDE – MATO GROSSO DO SUL Nº 4″

.

ju de junho-julho

que pode dizer

a porta dos deuses entreaberta

– no banquete, corresponde à hora da comédia –

agora me remete ao ah!

sua surpresa

momento adequado para lembrar

dos versos que te fiz

 

ju de gelosia

harmonizada no i

quem diria, saberia como nenhuma

delas quando digo

nada me faltará

como no salmo

deixa a luz entrar, mas vaga

o suficiente para confundir

e continuar

pode dizer ciúme

janela que você não mostra

 

ju de Jerusalém

a noite do deserto não é mais bela do que os teus cabelos

a Lua nada é, diante da tua boca

– meia Lua pronta para refletir

deitada como barca, nave

estátua de dimensão imensa

espalhada na Ilha de Páscoa –

nenhuma ilha te retrata tão bem

nenhuma justiça te faz o céu

 

ju de jujuba

jujuba está no dicionário e quer dizer um tipo de planta

vistosa, por isso a ramagem saindo do seu seio

leite para as primeiras horas da manhã

coragem

pois também significa goma, grude

gosto bom de fruta fabricada

e açúcar

 

ju de Júpiter

só me falta chover

ser cisne, águia

forasteiro aí, em sua cidade

jumento a carregar Jesus

coitado para imaginar:

 

ju

de juta

corda? para te amarrar?

mas isso quer dizer fibra

até seria citação de alguma coisa gótica, pode

ser martírio para te agredir

uma bruxa que arde com urgência

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Sempre que voltava para cidade de São Paulo, durante a espera pelo voo em Campo Grande, eu passava na livraria do aeroporto, onde sempre encontrava livros da Coleção Poetas do Mundo, da UnB. Certo dia, adquiri “Isso”, do poeta argentino Juan Gelman, tradução de Andityas Soares de Moura e Leonardo Gonçalves. O poema “Ao redor do qual” me impressionou bastante; nele, o poeta se vale de palavras começadas por “alm” em espanhol, como “almiar”, “almea”, “almarada”, etc. para dar forma a seus versos. Para fazer meu poema, parti de palavras começadas em “ju”, justamente as primeiras letras do nome de minha amiga, ao redor da qual fiz a composição.

Outros dois poemas da terceira parte dos quais gosto bastante são aqueles dedicados à minha amiga Vera Lúcia. Seu nome é bem sugestivo; falar de luz e verdade em meio às fantasias da poesia erótica é sempre paradoxal. No poema recorri a três alusões: (1) à “Farsa de Inês Pereira”, de Gil Vicente; (2) ao filme “The Fly”, tanto a versão de 1958, de Kurt Neumann, traduzido como “A mosca da cabeça”, quanto a versão de 1986, de David Cronenberg, traduzido apenas por “A mosca”; (3) à imagem de Belzebu, o senhor das moscas e das dúvidas.

 

DEDICA OUTRO POEMA A VERA LÚCIA,
EM QUE MENCIONA O MOTE PROPOSTO A GIL VICENTE
“MAIS VALE UM BURRO QUE ME CARREGUE,
A UM CAVALO QUE ME DERRUBE”

 

Vera de mote?

você sabia onde estava montando quando me acenou

como se espantasse a mosca?
.

a mosca-dúvida, começo de tudo?

longe disso, me refiro à mosca da cabeça branca

aquela que não é um animal político

apenas está pronta para se fundir ao teu DNA

te deixa forte, mas fode com tua aparência
.

Vera de monte?

escuta o zurrar do burro, o pinote, o coice?
.

agora é sabre, ferrão, até o burro te derruba

você nem faz ideia, Vera,

das cordas para te amarrar

das moscas para te picar

das dúvidas

.

Para encerrar, gostaria de comentar o último poema do livro. Ele dá fim ao tema; a busca do poeta se resolve antes na poesia – musas amiúde – do que com as namoradas, que nunca se resolve no livro. Além disso, ele remete ao tema da Linguística, presente nos poemas feitos com o pensamento de Saussure: nos versos entre parênteses invertidos – marcas da intromissão do escritor no meio do poema –, cito o pensamento de Louis Hjelmslev, explícito nas primeiras frases de seus “Prolegômenos a uma teoria da linguagem”, em que ele cogita a linguagem como fonte da significação humana.

 

POR FIM, É JUSTO INDAGAR SE A LÍNGUA É REFLEXO
OU FONTE DE TODAS ESSAS COISAS
.

musas amiúde?

pensa numa praça

e na leitura surrealista do Marquês de Sade

) eu acho que você não se decide

se a linguagem é reflexo disso tudo

ou é a fonte do desenvolvimento dessas coisas

que passam por aqui

para te capturar, rede

estrutura para te definir (

 

*          *          *

 

O pdf completo da “Pureza da pauta” está à disposição neste endereço: http://seraphimpietroforte.com.br/wp-content/uploads/2013/06/pureza_da_pauta.pdf
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Também escrevo para o portal de esquerda Carta Maior, confira minha coluna “Leituras de um brasileiro”

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Antonio Vicente Seraphim Pietroforte nasceu em 1964, na cidade de São Paulo. Formou-se em Português e Lingüística na FFLCH-USP; fez o mestrado, o doutorado e a livre-docência em Semiótica, na mesma Faculdade, onde leciona desde 2002. Na área acadêmica, é autor de: Semiótica visual – os percursos do olharAnálise do texto visual – a construção da imagem;Tópicos de semiótica – modelos teóricos e aplicaçõesAnálise textual da história em quadrinhos – uma abordagem semiótica da obra de Luiz Gê. Na área literária, é autor de: – romances:Amsterdã SMIrmão Noite, irmã Lua; – contos: Papéis convulsos – poesias: O retrato do artista enquanto fogePalavra quase muroConcretos e delirantesOs tempos da diligência; – antologias: M(ai)S – antologia SadoMasoquista da Literatura Brasileira, organizada com o escritor Glauco Mattoso; Fomes de formas (poesias), composta com os poetas Paulo Scott, Marcelo Montenegro, Delmo Montenegro, Marcelo Sahea, Thiago Ponde de Morais, Luís Venegas, Caco Pontes, mais sete poetas contemporâneos; A musa chapada (poesias), composta com o poeta Ademir Assunção e o artista plástico Carlos Carah. E-mail: avpietroforte@hotmail.com




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